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Polícia aponta homicídio qualificado em morte de morador de Laguna Carapã

Redação –

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concedeu entrevista coletiva na sede do SIG para detalhar o avanço das investigações sobre o desaparecimento e assassinato de Thiago, de 37 anos, ocorrido em Laguna Carapã. Os esclarecimentos foram prestados pela delegada Gabriela, que responde interinamente pela delegacia do município, e pelo delegado Lucas Albé, responsável pelo SIG.

Segundo a delegada Gabriela, o caso começou a ser apurado após familiares procurarem a polícia para registrar o desaparecimento de Thiago, que não era visto desde domingo, dia 11. O homem, que vivia sozinho, tinha deficiência intelectual e histórico de alcoolismo, costumava circular pela cidade, mas sempre retornava para casa, o que chamou a atenção da família diante da ausência prolongada.

As primeiras diligências apontaram que Thiago foi visto pela última vez após aceitar uma carona oferecida por um conhecido, que passou a ser considerado o principal suspeito. Em depoimento inicial, ele afirmou ter levado a vítima até uma fazenda da região. No entanto, a versão apresentada por ele e por sua namorada — proprietária de uma conveniência local — levantou suspeitas por serem muito semelhantes.

Durante a apuração, a Polícia Civil confirmou que, dias antes do desaparecimento, Thiago teria furtado uma caixa de som do estabelecimento da namorada do suspeito, fato que passou a ser tratado como possível motivação do crime.

Diante da complexidade do caso, da extensa área rural de Laguna Carapã e da proximidade com a fronteira com o Paraguai, a delegada acionou o apoio do SIG, coordenado pelo delegado Lucas Albé. As equipes intensificaram as diligências, ouviram diversas testemunhas e passaram a trabalhar com a hipótese de desaparecimento forçado.

De acordo com o delegado Lucas, as investigações identificaram dois homens como principais envolvidos. Eles trabalhavam em fazendas da região e foram vistos no distrito de Bocajá no dia do desaparecimento. Informações também indicaram que a caminhonete utilizada pela dupla teria seguido posteriormente para a região de Amambai.

Na quarta-feira, um dos investigados foi ouvido e confessou participação no crime, relatando que Thiago foi induzido a entrar na caminhonete, levado até uma estrada vicinal e executado com três disparos de arma de fogo, sendo dois na cabeça e um no peito. O corpo teria sido abandonado em uma área rural de Aral Moreira.

Com base nas informações, a polícia localizou o corpo da vítima enterrado e coberto por areia, em um barranco de uma fazenda. O resgate contou com apoio do Corpo de Bombeiros e da perícia de Ponta Porã. O corpo foi encaminhado ao IML, onde exames necroscópicos confirmaram a execução.

O segundo investigado se apresentou posteriormente à polícia e também prestou depoimento, admitindo parte dos fatos, embora tenha entrado em contradição em alguns pontos. A arma utilizada no crime, uma pistola 9 mm, de uso restrito, e a caminhonete foram apreendidas e passarão por perícia.

A Polícia Civil trata o caso como homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, traição/emboscada e uso de arma de fogo de uso restrito, além de ocultação de cadáver e possível fraude processual, já que os suspeitos teriam lavado o veículo para eliminar vestígios.

Apesar da gravidade do crime, não houve prisão em flagrante devido ao lapso temporal e à colaboração inicial dos investigados. No entanto, segundo a delegada Gabriela, prisões preventivas não estão descartadas, conforme o avanço das investigações e o fortalecimento das provas.

Relatos colhidos pela polícia apontam que Thiago era conhecido como uma pessoa tranquila, inofensiva e vulnerável, sem histórico de violência, vivendo em condições precárias e dependente de ajuda de familiares e amigos.

As investigações continuam para esclarecer completamente a motivação do crime e a eventual participação de uma terceira suspeita, a namorada do principal investigado, além da conclusão dos laudos periciais.

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