O que passa pela cabeça de um bailarino quando um gato invade o palco no momento mais dramático de Romeu e Julieta? Para Pedro Seara, a resposta envolveu concentração, improviso e até uma dose de preocupação.
Dias após viralizar ao redor do mundo ao contracenar involuntariamente com um felino durante uma apresentação na Turquia, o brasileiro revelou em entrevista exclusiva ao R7 Teatro os bastidores do episódio que transformou uma tragédia clássica em um dos vídeos mais comentados das redes.
“Confesso que eu não vi como o gato entrou. Senti a presença de alguma coisa perto de mim. Como já tínhamos visto o gato ‘ensaiando’ a entrada em cena durante o espetáculo, eu já imaginava que ele podia estar ali no palco, mas não ao meu lado”, contou.
O episódio aconteceu durante uma apresentação da Companhia de Balé Imperial Russa em Izmir, na Turquia. Na cena final do espetáculo, inspirada na tragédia de William Shakespeare, um gato surgiu no palco e passou a interagir com os bailarinos justamente quando Julieta lamentava a morte de Romeu.
“Um gato ruivo entra na última cena e se deita ao lado da minha mão, lambendo levemente o meu pescoço. Quando Julieta acorda do desmaio e tenta reanimá-lo, o gato começa a fazer a mesma coisa. Depois, começou a brincar e a morder meu cabelo”
(Pedro Seara)
Formado pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville (SC), o bailarino integra produções internacionais e participava da turnê de Romeu e Julieta ao lado da bailarina Larisa Korsakova.
Apesar da surpresa, ele decidiu permanecer em cena. As apresentações da companhia em Izmir e também em Istambul aconteceram em espaços abertos, montados em parques, o que aumentava a possibilidade de imprevistos.
“Eu imaginava que pássaros pudessem atrapalhar a apresentação, chuvas… Por isso decidi continuar no personagem”, afirmou.
Ainda assim, Seara explica que existe uma disciplina rígida quando se está no palco. Para o bailarino, artistas que atuam em grandes companhias aprendem a lidar com imprevistos e a manter o foco mesmo diante de situações inesperadas.
Na visão dele, uma apresentação só deve ser interrompida em casos extremos, como uma fratura que impeça o artista de continuar em cena ou um problema grave no figurino que torne a situação inadequada para o público. “Se nenhuma dessas duas coisas acontece, o espetáculo deve continuar.”
Embora o vídeo tenha arrancado risadas de milhões de pessoas nas redes sociais, a principal preocupação do artista naquele momento era outra.
“Embora as pessoas tenham achado fofo, é um gato de rua. Ele podia me transmitir alguma infecção ou doença. Mas isso não aconteceu. Continuamos o espetáculo como se o gato fizesse ou não parte dele.”
(Informações R7)



