Após apertar o gatilho seis vezes em direção ao eletricista Igor Hyppolito, em 29 de abril, o Cabo PM Cauan Alencar Bastos passou a manifestar aparente arrependimento por balear a vítima, que morreu instantes depois, no Hospital Geral de Taipas.
O policial militar chegou a rezar um Pai-Nosso, em voz alta, quando ficou momentaneamente sozinho perto de uma viatura (assista abaixo).
https://www.youtube.com/embed/3g-hdN7VBZM
Antes de perder o fôlego completamente, Igor balbuciou “não consigo respirar, eu não consigo respirar”, como consta em registro de uma das câmeras corporais dos PMs envolvidos no caso. O eletricista, que era autista, segundo a família, foi ferido a tiros na região das costelas, após ameaçar com um facão um motoboy, durante uma briga de trânsito.
O cabo Cauan e o soldado José Otávio Ribeiro foram acionados pelo motoqueiro, quando estavam em um posto de combustíveis, do qual se deslocaram até a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, onde avistaram Igor com o facão.
Na versão relatada na delegacia, ambos os policiais afirmaram ter atirado para supostamente retaliar Igor, que “insurgiu” contra eles.
A câmera corporal do cabo Cauan registrou outra dinâmica. Antes mesmo de desembarcar da viatura, como revelou o Metrópoles, o policial afirmou “peraí que eu vou matar ele [Igor], eu vou dar tiro“. Em seguida, saiu do carro já apertando o gatilho. O soldado também disparou, ao menos uma vez, sem mesmo desembarcar da viatura.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Na sequência, os policiais permaneceram por cerca de meia hora no local, período em que relataram pessoalmente aos superiores suas versões do caso e, também, durante o qual o cabo Cauan aparentemente se arrependeu dos disparos direcionados à vítima, que agonizava no asfalto.






Ameaça ao borracheiro
Logo após os tiros, um borracheiro quase atingido por uma das balas perdidas dos PMs reclamou em voz alto sobre o ocorrido, sendo xingado pelo cabo Cauan, que, irritado, foi até a testemunha com a arma em punho.
O homem chegou a ser colocado com truculência no chão, por outros militares, enquanto afirmava ser trabalhador e reforçava que um dos sete tiros, dados pelos PMs, quase o havia acertado na região do pescoço. A confusão durou alguns segundos. O trabalhador, então, foi solto e levou o cabo Cauan até a borracharia, onde mostrou o buraco na parede, resultante de um dos disparos.
Na sequência, conforme registrado pela bodycam do cabo, ele circula pelo entorno de Igor, que recebe os primeiros-socorros de uma enfermeira que passava pelo local e ofereceu ajuda.
“Não morre”
O cabo vai ao encontro ao motoboy que o acionou para ocorrência, ao lado do qual há algumas testemunhas, e uma delas aborda o PM. Após parabenizar o policial, a pessoa questiona os motivos para o PM não ter atirado na perna de Igor. Exaltado, Cauan replica que “não existe tiro na perna”. Ele então circula mais um pouco.
Minutos depois, se aproxima do eletricista ferido, que é atendido pela enfermeira. “Pelo amor de Deus, não morre”, afirma o cabo em direção à vítima.
Após isso, quando pedem as funcionais dele e do parceiro de viatura, uma rotina neste tipo de ocorrência, ele tira uma foto dos documentos com o celular e se depara com mensagens de texto da companheira. Ele a responde por meio de áudio.
“Não posso falar agora, porque acabei de disparar em um maluco aqui e ele tá morrendo, essa é a verdade, infelizmente. Tá falecendo. A gente quer o resgate o mais rápido possível … não consigo falar com você agora, tá? Ele tá agonizando aqui e eu vou tentar salvar a vida dele, tá bom.”
O dia estava cinzento e chuvoso, condição que poderia estragar o celular de Cauan, como relatado por ele mesmo que, por isso, vai até a viatura guardar o aparelho, no banco dianteiro do passageiro. Neste momento, ele reza um Pai-Nosso.
O policial ainda se aproxima mais uma vez de Igor, externando à vítima para que ela não morra. Minutos depois, uma Unidade de Resgate dos Bombeiros leva o eletricista até o Hospital de Taipas, onde os pedidos do cabo Cauan não seriam atendidos.
O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.
(Informações Metrópoles)



