O Ministério Público ofereceu denúncia, na última terça-feira (13/1), contra o policial militar (PM) Leandro de Souza Assis, de 37 anos, pela morte de Bruno Lisboa Araújo, 21, em uma briga de trânsito, em 5 de janeiro, com um tiro na cabeça.
Assis foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.






A informação foi divulgada ao Metrópoles pela advogada Ana Carolina Badaró. Ela representa a família de Bruno e é assistente de acusação no caso, que corre na 4ª Vara Criminal do Júri da Capital do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
O PM foi preso em flagrante. A prisão foi convertida em preventiva em audiência de custódia, e o agente segue detido no Presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
A Corregedoria da Polícia Militar já teria sido notificada do caso. Na denúncia, o MPSP oficiou o órgão para que apresente todos os processos administrativos dos quais Assis já foi alvo.
Segundo Ana Carolina, a Polícia Civil não precisou esperar o laudo pericial da cena do crime e nem o exame necroscópico da vítima para acusar o PM de homicídio, já que a materialidade ficou evidenciada pelos relatos de testemunhas e por imagens de câmeras de segurança que flagraram a dinâmica do ocorrido.
Câmeras de segurança gravaram momento do homicídio
Nos vídeos capturados pelo sistema de monitoramento não é possível visualizar a discussão. Os equipamentos, no entanto, capturaram o áudio da briga. No vídeo, é possível escutar uma gritaria.
Um dos envolvidos, que aparenta ser Assis, conforme o boletim de ocorrência, grita: “Vem, filha da puta, vem”. Em seguida, grita: “Vai, desce aí então, cuzão; desce aí então”. Mais algumas palavras são ditas, mas não é possível identificá-las.
É possível ouvir também: “Você tá errado”. Em seguida, um barulho de disparo.
Araújo foi encontrado pela polícia sentado no banco do motorista, mas caído sobre o banco do passageiro. Ele possuía um ferimento de bala de fogo no lado esquerdo da cabeça, na região da têmpora.
“Reação desproporcional”
Segundo o boletim de ocorrência, ao invés de seguir a direção contrária na via, Assis seguiu o carro de Bruno e emparelhou o veículo, momento em que a discussão entre os dois teria ficado mais acalorada. O PM se irritou após ser chamado de “Zé Povinho”, o que teria motivado o disparo.
À polícia, Assis alegou que atirou porque Bruno “fez menção de sacar uma arma”. O BO destaca, no entanto, que o jovem estava desarmado.
“Diante desse cenário, não há como se acolher, nesta fase, a tese de legítima defesa”, diz a autoridade policial do 72º Distrito Policial (Vila Penteado), onde o caso foi registrado.
Para Ana Carolina, a reação do policial foi “desproporcional”. “Bruno não teve tempo de se explicar ou falar algo”, disse à reportagem.
A advogada destacou que tanto a polícia quanto a promotoria enfatizaram que a motivação do crime seria uma “discussão banal de trânsito”.
O vendedor de veículos havia tido uma filha há 15 dias, e faria aniversário naquela semana, em 10 de janeiro. Conforme a advogada, a família está “devastada” com o caso.
O Metrópoles não localizou a defesa do PM Leandro De Souza Assis. O espaço segue aberto para manifestação. (Informações Metrópoles)


