Plante que o governo garante
Leia : Plante que o governo garante, por Waldir Guerra
Leia Artigo – 19/05/2008
Waldir Guerra *
No início da década de oitenta, mais de vinte anos atrás, o governo do então presidente João Batista Figueiredo lançou um estímulo ao plantio de trigo e com o slogan Plante que o João garante, incentivou os produtores rurais a plantar uma grande safra de trigo.
Para que o plano desse certo o governo garantiu um preço mínimo alto e os produtores atendendo o apelo plantaram. Alguns poucos produtores moveram Ação Judicial contra o banco que os financiou, pois não lhes pagou pelo trigo colhido o preço mínimo que o governo lhes havia prometido. A Justiça acolheu a queixa e o governo foi obrigado a pagar aos agricultores queixosos a diferença com juros e correção monetária.
Alertados pela vitória judicial dos triticultores de Maracaju (MS), milhares de outros triticultores brasileiros, também prejudicados por não terem recebido o preço prometido pelo governo naquela safra, recorreram ao Judiciário, mas até hoje, nada. Mais de vinte anos e, baseado na morosidade da Justiça brasileira, o governo e por que não, o banco oficial? finge que o assunto não lhe diz respeito.
Agora, leio nos jornais dessa semana passada que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que o governo federal prepara um pacote para incentivar o aumento da produção. Falou do trigo, especificamente, dizendo que, com o aumento do preço mínimo, a produção vai crescer. Esse aumento de produção, acredita Mantega, seria a melhor resposta para a alta dos preços dos alimentos. (Globonews).
Já o atual Ministro da Agricultura propõe um acordo entre, produtores, indústria e governo, para aumentar a produção de trigo já nesta safra; onde os produtores teriam do governo a garantia de um bom preço mínimo e a indústria se obrigaria a comprar dos triticultores o trigo pelo preço internacional. Ora, veja só! O governo através de seus ministros, claro – precisa explicar melhor a todos os agricultores que estão nesta lida há mais de vinte anos, se vai mesmo cumprir com o tal preço mínimo. Melhor ainda! Explicar aos milhares que estão demandando contra ele, governo, por não ter pagado o preço mínimo naquele Plante que o João garante.
Numa coisa os produtores e os demais brasileiros também – devem acreditar no ministro Mantega: não adianta aumentar os juros para frear a inflação porque desta vez a inflação está vindo por conta do aumento dos produtos agrícolas e apesar de sermos auto-suficientes só nos falta o trigo os custos para produzir esses alimentos, subiram demais. Subiram porque o petróleo subiu, o adubo subiu e, se não bastasse a alta dos custos de produção, a procura por alimentos no mercado internacional fez subir os preços lá fora; consequentemente, não há como frear a alta aqui dentro. Assim… sobem os preços e … sobe a inflação.
O outrora todo-poderoso ministro Delfin Netto, hoje ainda um brilhante economista, também critica a alta dos juros e ataca o Banco Central dizendo: temos imensa dificuldade de aceitar comportamentos idiossincráticos, supostamente suportados não por evidências empíricas fortes, mas pela perversão religiosa de um suposto conhecimento científico inspirado na imoralidade ínsita no DNA do sistema financeiro.
O que Delfin Netto e o ministro Mantega querem dizer é que o Banco Central, desta vez, usou uma desculpa fajuta para elevar os juros, assim como o governo faz com os agricultores hoje: usa uma promessa fajuta feita no passado e não cumprida, para conseguir novamente um aumento na produção de trigo.
Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Fonte: Folha de Dourados



