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Planejamento e assistência reduziriam mortes de bebês em 50%

Gravidez – 05/12/2009

Se o mundo dobrasse a quantia que gasta hoje com planejamento familiar
e assistência durante a gravidez em países em desenvolvimento, 70% das
mortes de mães e 50% das mortes de bebês recém-nascidos poderiam ser
evitadas, segundo um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas).

Investimentos
direcionados também poderiam reduzir em dois terços o número de
gravidezes indesejadas e de abortos realizados de forma perigosa,
contribuindo também para uma redução na pobreza, diz o documento.

Produzido
pelo Guttmacher Institute e UNFPA, o Fundo da População das Nações
Unidas, o relatório diz que meio milhão de mães e 3,5 milhões de bebês
recém-nascidos morrem todos os anos em países em desenvolvimento.

Segundo os especialistas, essas mortes poderiam ser facilmente evitadas.
“Investir
em um punhado de serviços básicos de saúde, como planejamento familiar
e assistência de rotina durante a gravidez e no parto, poderia salvar
milhões de mulheres e bebês”, disse a presidente do Guttmacher
Institute, Sharon Camp.

“Não é ciência espacial. São serviços
básicos que podem ser oferecidos a baixos custos e localmente,
suplementados por assistência de emergência quando necessário”.

Maior Eficiência
Cerca
de US$ 12 bilhões são gastos anualmente no mundo em planejamento
familiar e assistência à mãe e bebê – a maior parte desse dinheiro vem
de países desenvolvidos e das próprias famílias. O relatório sugere que
o investimento total necessário para evitar milhões de mortes em países
pobres seria pouco mais do que o dobro desse valor, cerca de US$ 24,6
bilhões.

Intitulado Adding It Up: The Costs and Benefits of
Investing in Family Planning and Maternal and Newborn Health, (“Fazendo
a Soma: Os Custos e Benefícios de se Investir em Planejamento Familiar
e Saúde da Mãe e do Bebê”, em tradução livre), o relatório também
ressalta que o investimento em planejamento familiar aumenta a
eficiência de cada dólar gasto com a oferta de assistência à mãe
durante a gravidez e ao recém-nascido.

Ou seja, investir
simultaneamente em planejamento familiar e em serviços para a mãe e
bebê pode produzir os mesmos benefícios, gastando-se US$ 1,5 bilhão a
menos, do que quando o investimento é feito apenas em assistência à mãe
e ao recém-nascido.

O relatório quantifica os benefícios de se
oferecer planejamento familiar e assistência à mãe e bebê. O efeito
potencializador da combinação, segundo o documento, é dramático: as
mortes de 400 mil mães e 1,6 milhões de bebês seriam evitadas; o número
de gravidezes indesejadas cairia mais de dois terços, abortos perigosos
e complicações resultantes diminuiriam em 75%.
Tudo isso, segundo
os especialistas, levaria a uma redução na pobreza e maior
desenvolvimento econômico de países pobres. “O investimento é modesto
em relação aos vastos benefícios”, disse Thoraya Ahmed Obaid, diretora
executiva da UNFPA.

Dinheiro gasto com planejamento familiar
produz um aumento no uso de preservativos e tem, portanto, o efeito
adicional de prevenir o alastramento do vírus HIV e de outras doenças
transmitidas sexualmente, dizem os especialistas.

“O relatório
mostra a melhor forma de se direcionar os recursos para alcançar os
maiores ganhos. Investir nas mulheres tem benefícios enormes, não
apenas para indivíduos e famílias, mas para a sociedade como um todo”,
disse a presidente do Guttmacher Institute, Sharon Camp.

Fonte: Folha Online

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