Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 Dourados 31 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

‘Phac foi um presente de grego’, diz o juíz Celso Schuch

Entrevista parte 1 – 14/04/2008

Gaúcho de Porto Alegre, ex-jornalista e juiz de Direito no Mato Grosso do Sul e preste há completar oito anos atuando em Dourados com passagem pela Vara da Infância e da Juventude e eleitoral, Celso Antônio Schuch Santos em entrevista exclusiva a folha de dourados faz uma avaliação como titular da 3ª Vara Criminal e como corregedor do maior complexo carcerário do Estado, a Phac (Penitenciária Harry Amorim Costa) entre outros assuntos pertinentes a sua pasta.
Celso Schuch na entrevista diz que rebelião não é mais prioridade para a maioria dos detentos da Phac e que o complexo no seu ponto de vista foi um “presente de grego” dado para a cidade, porém ele explica o porquê desta sua opinião, e que a renovação tanto no MPE (Ministério Público Estadual); na magistratura e também dos advogados vem contribuindo de maneira positiva para que o Poder Judiciário, que também está em processo de renovação, seja mais ágil nas decisões, em especial na área criminal.
Leia abaixo na integra a entrevista do juiz que foi concedida na semana passada em seu gabinete no Fórum da Comarca da cidade.
 
Folha: O senhor no próximo mês completa oito anos em Dourados. Dá para fazer uma avaliação pessoal de sua atuação como juiz na cidade…?
 
Celso Schuch: Veja bem ! Não sou lá muito de falar tanto de minha pessoa ou como juiz, mais como a sua pergunta é pertinente, vamos lá. Como pessoa, sou muito feliz e grato por tudo que conquistei em especial a minha família e uma vasta lista de sinceros amigos. Agora, como juiz de Direito aqui em Dourados, cidade na qual adotei como sendo a segunda em minha vida após Porto Alegre, onde nasci, aqui quero viver até o fim dela, embora espere que não seja breve. Ainda como juiz creio que estou cumprindo a contento com a minha missão sem ferir os direitos constitucionais do cidadão, seja ele honesto ou infrator. Acredito que tenho muita coisa a realizar ainda em Dourados. Alias como juiz da Vara de Execuções Penais junto com meus assessores já realizamos várias coisas desde quando aqui cheguei, evidentemente com trabalho e esforço. Neste tempo conseguimos desmembrar da 3ª Vara Criminal a Vara da Infância e da Juventude, que foi criada com total apoio do Tribunal Justiça do Estado para que a cidade pudesse ter uma Vara especifica para atender os menores e adolescentes, e agora estamos em ritmo acelerado tocando o mutirão dos julgamentos que ainda estavam para serem feitos há vários anos com muito sucesso. Contando com o apoio de colegas de Fátima do Sul; Caarapó; Itaporã e Rio Brilhante, já realizamos desde os meados do ano passado mais de 50 júris, um número que supera até mesmo a Capital, embora lá saibamos que o número de processos proporcionalmente são maiores, é claro. A par disso, temos ai uma penitenciária que é a maior do Estado e se por um lado é o maior, ela nos está dando tranqüilidade, pois entendo que não estamos tendo grandes problemas como os de Campo Grande e do resto do país. Não tivemos fugas, a não ser aquela rebelião que aconteceu a nível Nacional, mas desde então não estamos tendo problemas maiores graças ao trabalho do Judiciário, mais sim da Agepen (Agencia do Sistema Penitenciário); da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) e principalmente do diretor da Phac que com sua equipe vêm mantendo a ordem no sistema carcerário, além é claro da comunidade douradense que sempre que pode discute o problema da massa carcerária, como é o caso da localização do presídio do semi-aberto por exemplo. O fato de a população participar, trazendo reclames, idéias e sugestões para os problemas relacionados ao presídio do semi-aberto por exemplo, penso que é muito salutar, então, nestes meus quase oito anos que aqui estou sei que foi muito trabalhoso, porém também muito prazeroso.
 
Folha: A rebelião foi um problema que enfrentou. O senhor sempre lutou -e luta- por um presídio de trânsito e nunca é atendido por parte das autoridades da Capital. Como o senhor enxerga esse descaso com Dourados…?
 
Celso Schuch: De fato estamos lutando há anos para que Dourados tenha um presídio de trânsito ou um local adaptado para abrigar os presos ainda não condenados, até porque a Lei assim determina que os já condenados não devam ficar junto com os que estão ainda no aguardo de serem julgados. Isso infelizmente não ocorre aqui em Dourados e em várias cidades do país. Mais acredito que em Dourados haverá uma maior atenção por parte da Agepen na pessoa do atual diretor do órgão, coronel/PM Hilton Villassanti e do secretário de segurança Wantuir Jacini. O Governo do Estado segundo foi informado para mim já teria inclusive enviado uma equipe até ao MJ (Ministério de Justiça) em Brasília em busca de verbas para a construção do presídio de trânsito em Dourados, pois é inadmissível que presos processados, que podem até mesmo a ser absolvidos nos julgamentos, serem obrigados a dividir as mesmas celas com condenados no Harry Amorim Costa, principalmente com aqueles que seriam integrantes de facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), que possuem uma política interna dentro da penitenciária criada por eles para comandar a co-habitação, o que seria injusto para com eles.  Além da verba em Brasília, esta comissão teria agora o problema de encontrar o local adequado para construir o presídio de trânsito, o que com certeza não deverão ser difíceis de resolver quando retornarem a Dourados para dar o início das obras. A construção do presídio de trânsito pelo que vejo para Dourados é um caminho sem volta.

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial