Fotos: acervo de Ilson Boca Venâncio

Ilson Boca Venâncio –

Quando cheguei para conversar com Josias, ele estava conversando com um amigo enquanto descascava a mandioca fazendo com que a casca se soltasse com facilidade. Ele descasca em tira como se fosse uma laranja e a casca vai crescendo rapidamente, sempre atento na conversa e nos fregueses que se aproximam para comprar.

Entre nós consumidores, quando a mandioca solta a casca tão facilmente, é porque acreditamos que cozinhará com a mesma facilidade, sem panela de pressão bastando alguns minutos para sentirmos aquele aroma gostoso de mandioca cozida no ar.

Josias me contou que veio trabalhar na feira logo após o seu tio Antonio Constantino Dias de Souza, que é casado com Ana Dias de Souza, pai de seus primos Antônio, Aurino e Áureo e de suas primas, Lucia e Miriam, esses estão até hoje trabalhando na feira.

Eles trabalhavam na produção de verduras com outros feirantes, depois passaram a produção e venda da mandioca e o Sr. Antônio trabalhou por mais de quarenta anos na feira livre, onde os seus filhos e netos permanecem até hoje.

Aurino me diz que quem como ele, que trabalhou na feira desde bem pequeno, se acostumou e não deixa mais: “Mesmo que estude e exerça outra profissão, ainda assim entre nós permanece a feira como uma cultura familiar”.

Sr. Antônio Constantino Dias de Souza e Manoel Messias de Souza são naturais de Rio das Contas, Bahia. Vieram para Dourados atrás de uma vida melhor instalando-se em Café Porã, trabalhando na agricultura.

O primeiro a vir trabalhar na feira foi o Sr. Antonio, enquanto Manuel permanecia morando em Café Porã, depois vindo para Dourados trabalhar na produção de verduras com outro feirante, depois passou a plantar a mandioca para vender na feira.  

“Quanto ao meu pai Manoel Messias de Souza, ele veio trabalhar na feira, ficou por pouco tempo, só uns quinze anos, foi quando adoeceu, falecendo em seguida e aí ficamos nós, eu e meus irmãos, Juarez, Jonas, Jeremias, Josuel e minhas irmã Dirce e Claudia.

Ele se casou com Cristiane de Queiroz Aedo de Souza e tiveram dois filhos. A filha Josiele   trabalha com ele na banca. O filho Natanael já montou a sua própria banca na feira, onde vende temperos.

Personagens e suas trajetórias de vida: 'A tradição da Mandioca' em Dourados

O seu tio Antônio trabalhou mais de quarenta anos, depois que faleceu deixou a banca como herança para os seus primos e sobrinhos que dão continuidade ao trabalho que já virou tradição na família.

Josias me fala que trabalhar na feira, é uma coisa que lhe oferece muita satisfação, e está nessa atividade desde os nove anos de idade.

“Essa lida com a freguesia é muito envolvente, a gente trabalha com um produto tradicional na mesa do douradense, por esse motivo a mandioca na feira tem que ser de qualidade, senão quem vende se queima, para vender na feira ela tem que ser fresquinha colhida no dia, e que cozinhe bem. A mandioca é um produto perecível que depois de colhida precisa ser consumida ou congelada” destacando que com casca dura até dois dias, depois é preciso congelar para melhor conservação.

Pelo tempo que fiquei ali com ele na banca, observando o movimento dos fregueses, uns chegam para comprar, outros para pegar o já encomendado anteriormente, segue na sua atividade sem parar de descascar até a ultima raiz.

Segue no seu oficio sem deixar que falte mandioca para nenhum freguês! Eu que sou douradense, agradeço o compromisso dele!

O trabalho na feira é sempre assim, a demanda para boa mandioca no final de semana é muito grande. O produto tem que ser bom e não pode deixar o freguês sem a mandioca na mesa, além de ser insubstituível para acompanhar um bom churrasco, é matéria prima para diversos pratos tradicionais regionais e nacionais.

Nós temos compromisso com o freguês, produzindo para não deixar faltar a mandioca na banca, pela satisfação da freguesia e o sustento da nossa família

Bem! Eu que não fico sem uma boa mandioca para preparar minhas refeições, e que fui freguês do seu Antonio e do Manoel e permaneço freguês com a famílias, com a certeza de estar comprando um bom produto, só me resta agradecer a atenção dispensada pelos primos Josias e Aurino, que me ajudaram para que eu pudesse escrever mais uma história da Nossa Feira Livre.

Personagens e suas trajetórias de vida: 'A tradição da Mandioca' em Dourados
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