Peão que atropelou militar pode ir a júri popular
Polícia – 20/06/2008
A Polícia Civil divulgou hoje a conclusão do inquérito sobre a morte do cabo do Exército Leonardo Sales da Silva, ocorrida no dia 7 de junho, quando ele foi atropelado e arrastado por 15km pelo veículo dirigido pelo peão de rodeio Fagner Gonçalves, de 25 anos. O inquérito indicia Fagner por homicídio doloso, ou seja, com intenção, o que faz que ele possa ir a júri popular e ser condenado a uma pena de até 30 anos.
Ele foi enquadrado em um crime contra a vida previsto no Código Penal e não no Código de Trânsito Brasileiro, que prevê apenas punição para homicídio culposo no trânsito, de no máximo três anos de detenção. Agora, o inquérito vai para o Ministério Público Estadual, que decidirá se mantém a acusação, e depois o juiz define se o acusado vai ou não para júri popular.
Fagner também foi indiciado por omissão de socorro. O relatório do delegado responsável pelo caso, Rogério Fernando Market, do 5º Distrito Policial, explica que a definição do indiciamento por crime doloso foi em razão de Fagner ter assumido o risco de “produzir mal a quem estivesse em seu caminho”, ao dirigir sem habilitação para o veículo em que ele estava, uma F-4000, estar com exame de saúde vencido para a categoria B, ter fugido do local do crime e do distrito da culpa, uma vez que foi preso em Sidrolândia, e ainda ter realizado manobras arriscadas à frente de outras pessoas na rua em que Leonardo foi atropelado, no Parque Lajeado.
O relatório diz ainda que Fagner pegou a direção do veículo após ter ingerido bebida alcoólica. Ele foi preso dia 11 de junho. Alegou à polícia que não viu que tinha atropelado alguém e que fugiu porque temeu sofrer agressões dos amigos de Leonardo. Eles chegaram a subir na carroceria do veículo para avisá-lo, sem conseguir que parasse.
A apuração da Polícia Civil junto às testemunhas e os laudos periciais revelaram que, depois de atropelar Leonardo, Fagner andou por 15km, de um lado a outro da cidade, e tentou desprender o corpo, preso ao eixo do veículo, fazendo manobras nas vias. No Jardim Itamaracá, desceu do carro, conforme a polícia apurou, e desprendeu o corpo.
O inquérito diz que o corpo só foi encontrado porque os policiais seguiram o rastro de sangue deixado pela camionete. Fagner estava com um veículo que pertence ao haras onde o irmão trabalha. Tinha pego o carro para fazer uma entrega a pedido do patrão do irmão, Flávio Gonçalves, que acabou preso quando prestou depoimento sobre o caso, porque tinha um mandado de prisão em aberto por porte ilegal de arma.
Fonte: CG News



