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Pe. Crispem em: Falar de Deus transformou-se em fonte de dinheiro

Artigo – 15/01/2008

Infelizmente o nome de Deus virou comércio e um dos mais lucrativos. Deixar de acreditar em Deus não é problema, o é, negá-lo através de livros e filmes com o intuito maquiavélico de fazer fortunas, e a cada cinco anos, as vezes até menos, aparece um espertalhão que se aproveita para engordar sua conta bancária ou abrir a sua primeira conta, porque alguns até então, não tinham onde cair mortos, e foi exatamente contestando a existência de Deus ou falando mal Dele que encontraram uma mina de ouro.

No Brasil e no mundo, onde sincretismo e fé se misturam, céticos e ateus encontram conforto em livros que questionam as religiões e desmoralizam quem acredita. “Livros que atacam a idéia de um criador e a utilidade das religiões viram best sellers no Brasil e reavivam o debate entre fé e razão”. O problema não é não acreditar em Deus, mas acreditar no dinheiro e utilizar o nome Sagrado para consegui-lo. Ser ateu não é sinônimo de mau caráter, mas tentar desmoralizar a fé com o único desejo de faturar, aí sim, pode-se dizer que tais pessoas não usam da reta intenção.
No mundo em que se vive do senso comum, que cada vez mais se priva de verificar os fatos com mais rigorosidade, livros que defendem o ateísmo e atacam a fé e as religiões viraram fenômenos editoriais e se multiplicam nas livrarias. Quem não se lembra do “Código da Vince”, dos filmes que contestam Jesus e seus milagres.
Agora mais um personagem surgiu do nada com uma obra editorial e já vendeu tanto, que seria impossível imaginar o quanto colocou no bolso, contestando a existência de Deus.
O livro, “Deus, um Delírio”, do biólogo Richard Dawkins, circula há 14 semanas na lista dos mais vendidos. Muito utilizado agora por alguns ateus, tornou-se uma espécie de bíblia desta classe. “O sucesso foi tão grande que a Companhia das Letras, dona dos direitos de publicação no Brasil, decidiu reeditar um dos clássicos de Dawkins, “O Gene Egoísta”, que, apesar de não tratar de fé ou da existência de Deus, tem alimentado a polêmica entre o biólogo britânico e seus opositores”. Imagine, outro livro que não tem nada a ver entra na lista para puxar as vendas. Bem, se produz dividendos, já basta, não importa o conteúdo.
A obra “O Gene Egoísta”, lançado na década de 70, entre outras coisas afirma que a história da evolução é, na verdade, “o resultado da vitória individual de cada gene na corrida pela sobrevivência e não do conjunto de um organismo”. Nos anos 80 muitos chegaram a dizer que havia nela uma grande defesa do individualismo, o que virou moda entre os executivos ultra-liberais. Contudo, quem mais a propagou e procurou encarná-la, não foi capaz de provar que era possível evoluir para melhor, pois seu maior defensor, o ex-presidente da Enron Jeffrey Skilling, foi condenado a 24 anos e quatro meses de prisão por chefiar a fraude que levou a empresa à falência e deixou dívidas de 40 bilhões de dólares.
Não quero atacar pura e simplesmente os ateus, pois conheço e tenho amizade com pessoas que se dizem sem fé e vejo que são seres humanos comprometidos com a ética. Mas alguns estudiosos, chegam a tentar provar que o ateísmo desemboca necessariamente no egoísmo e na falta de valores morais. E é exatamente o que o biólogo em várias páginas de “Deus, um Delírio” tenta defender, para rebater as acusações e salvar a harmonia entre ceticismo e ética, o que para alguns é impossível.
Com o iluminismo, parte da ciência tentou buscar uma explicação sobre o mundo na qual Deus seria desnecessário. Mas quando parece haver êxito, inevitavelmente surge o evidente: as contas não batiam. As contas sobre o homem, sem Deus, não batem, e as contas sobre o mundo, sobretudo o universo, sem Ele, também não.
“Hoje, que aprendemos a reconhecer as patologias e as enfermidades mortais da religião e da razão, e a maneira em que a imagem de Deus pode ser destruída por causa do ódio e do fanatismo, é importante dizer com clareza em que Deus cremos, e professar que este Deus tem um rosto humano: Jesus Cristo. Só isto nos impede ter medo de Deus, que definitivamente (o medo) é a raiz do ateísmo moderno. Só este Deus nos salva do medo do mundo e da ansiedade ante o vazio da vida”. Medo de Deus e de nós mesmos, portanto, muitos preferem desacreditá-Lo para não se comprometer consigo, com Ele e com o mundo.
No entanto é de se perguntar: se Deus não existe por que gastar tantas páginas com Ele? Se Ele é um delírio, é uma maluquice escrever sobre Deus.
Pe. Crispim Guimarães Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados

Fonte: Folha de Dourados

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