Parte dos políticos se comporta como nos tempos dos coronéis
Não é à-toa que o MS figura entre os estados mais atrasados do País, superando apenas alguns do Nordeste e do Norte do País
Atraso – 01/09/2009
Não é à-toa que o MS figura entre os estados mais atrasados do País, superando apenas alguns do Nordeste e do Norte do País
José Henrique Marques
Os recentes acontecimentos políticos em Mato Grosso do Sul, onde autoridades são protagonistas de destempero verbal, desrespeito a autoridades, ofensas aos professores, censura à imprensa, autorização para matar e até agressão física a sindicalistas expõe uma faceta nefasta na cultura política do estado: muitos daqueles que estão poder utilizam os mesmos métodos dos coronéis de outrora, como se a sociedade não estivesse em marcha em pleno século 21.
As maiores provas de que existem, sim, coronéis na política sul-mato-grossense estão na alternância no poder Executivo entre dois, três grupos políticos, tanto na esfera municipal como estadual, e na perpetuação de mandatos de parlamentares. E por coincidência ou não, os tais coronéis estão ano-luz das classes sociais remediadas.
Uma estratégia típica dos coronéis (facilmente observada no Nordeste do País) é manter o povo na escuridão da ignorância, ou seja, fora das salas de aula. Encabrestados e absolutamente alienados, os eleitores trocam seus votos por favores pífios, como a conquista de uma nota de 50 reais.
E não é à-toa que o MS figura entre os estados mais atrasados do País, superando apenas alguns do Nordeste e do Norte do País, que também são redutos dos coronéis. Um exemplo de dinamismo é o Mato Grosso, menos produtivo e com menos população que a porção sulista, na época da divisão, mas que hoje está bem à frente do irmão rico.
Mato Grosso do Sul não pode continuar convivendo com isso. Esse comportamento tem ainda mais uma permissividade: provoca a divisão, um racha, enquanto que o desenvolvimento sócio-econômico pressupõe a união de forças, a construção de projetos políticos sem desavenças ideológicas e partidárias.
No horizonte de um século, que sem dúvida, será marcado pela alta tecnologia, cuja globalização aproximará os povos, cultivará a fraternidade e valorizará a humanidade, não cabe mais o uso da força, da violência para intimidar adversários, calar a imprensa e envergonhar a sociedade. É imperativo erguer o nível do debate político, abandonando os velhos e vergonhosos métodos dos coronéis.
Olho: Encabrestado e alienado, o eleitor troca voto por favores pífios
Fonte: Folha de Dourados



