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‘Paródia Óbvio Ululante’, por João Batista Pereira

João Batista Pereira – advogado

De repente, surge um tigre benquisto pela legião de animais. Prestigiado por onde passa, goza de alto conceito junto a leões, elefantes, girafas, onças, tamanduá-bandeira, caititu, ariranhas. Esse animal inteligente é portador de enorme conceito. Mas, às vezes, fica prestes a cair nas ciladas do rato. O tigre deseja proteger o seu reduto, a sua prole, sua liberdade, o seu direito de estar nas matas deleitando-se das belezas do ambiente elevando os nomes de Deus, pátria, etc.

O rato, animal maldoso, arma emboscada para o tigre escorregar e cair nas armadilhas. Mas o tigre é protegido pelos deuses. As ações do rato ultrapassam às raias da compreensão e da racionalidade. A sua desprezível ânsia é causar dor e angústia para o tigre sofrer.

O rato apela para o urubu dizendo: você voa alto. Invente alguma praga para atingir o tigre e lhe darei carniças. O urubu sai à procura da hiena. Este animal, sorrindo, propõe encontrar algo de escabroso contra o tigre. Não encontra nada. Aí ela inventa que o tigre arma um complô com a intenção de assumir o comando. O urubu chega no rato e diz: ordem dada, ordem executada. A hiena, com seu sorriso sarcástico, pergunta ao rato: por que você mantém tanto ódio contra o tigre? O rato dispara: eu o invejo e sabe por quê? Eu que deveria assumir o comando, e não ele.

Eis que o lobo aparece esbaforido e dizendo: estou no comando desse reduto infame. Eu quero benesses. Vou vender até a minha mãe, se precisar. Mas é alertado pela hiena: sua mãe já morreu. O lobo fica desconsertado e se desespera. Mas quer porque quer vender alguma coisa. Olha para o céu e vê a coruja assuntando a conversa. Aí ele vê pairando acima dele uma ave denominada condor. Só que essa ave estava à espreita, com seus olhinhos rasgadinhos. O lobo se ufana e diz: eureka, encontrei um otário. Mas o lobo nem imaginava que os olhinhos rasgadinhos eram mais espertos que ele. O lobo vendeu para o olhinho rasgadinho, por dois bilhões de reais, as matas, os rios, os animais e a reserva de uma fonte de produto apreciado pela comunidade internacional denominado urânio. Esse dinheiro não chegou aos cofres públicos. Foi para o bolso do lobo. O rato não deu palpite? Não? Por quê? Porque o seu silêncio avalizou a fatídica negociata. A intenção do rato foi sempre a de perseguir o tigre. O lobo, todo faceiro, chega junto à sua matilha e diz: fiz um negócio da China.

O jacaré observa o tatu cavando um buraco e pergunta: pra que isso? O tatu responde: vou me esconder porque senão vou ser vendido como parte da transação. O tamanduá-bandeira se vira e vê a ema com a cabeça no buraco e pergunta: por que isso? A ema responde que está com vergonha de ver a sua casa habitada por outros animais de plagas distantes. Assim, o veado vem correndo e pergunta aos demais animais ali reunidos: o que vamos fazer? Porque àqueles animais vestidos de uniforme verde não se agigantam contra esses descalabros? O gavião responde: esquece! Eles consagraram o vermelho. Desesperado, o porco-espinho pergunta: então o que vamos fazer? A onça responde: é abaixar as calças e ver o grosso… Sic.

Fim. The End.

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