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Parkinson avança rapidamente no Brasil e pode mais que dobrar até 2060

O Brasil caminha para um aumento expressivo dos casos de doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente pessoas com 50 anos ou mais. Projeções científicas indicam que o número de brasileiros convivendo com a doença pode mais que dobrar nas próximas décadas, mais precisamente até 2060, impulsionado pelo envelhecimento acelerado da população e pela maior sobrevida após o diagnóstico.

Atualmente, estima-se que mais de 500 mil brasileiros vivam com Parkinson. No entanto, esse número pode ultrapassar 1,2 milhão de casos até meados do século, transformando a doença em um desafio crescente para a saúde pública brasileira.

Essas projeções foram apresentadas no estudo Prevalence, distribution and future projections of Parkinson disease in Brazil: insights from the ELSI-Brazil cohort study, liderado por Thomas Hugentobler Schlickmann, publicado em 28 de março de 2025 na revista científica The Lancet Regional Health – Americas (DOI: 10.1016/j.lana.2025.101046). A análise utilizou dados do ELSI-Brazil, um dos maiores estudos populacionais sobre envelhecimento já realizados no país.

Envelhecimento populacional impulsiona o avanço do Parkinson

O principal fator associado ao crescimento da doença no Brasil é o rápido envelhecimento da população. À medida que a expectativa de vida aumenta, cresce também o número de pessoas expostas ao risco de desenvolver doenças neurodegenerativas. Além disso, avanços no diagnóstico e no tratamento permitem que os pacientes vivam mais tempo com Parkinson, elevando a prevalência total da condição.

Esse cenário cria um efeito cumulativo: mais diagnósticos, maior tempo de convivência com a doença e uma demanda crescente por acompanhamento médico contínuoreabilitação e cuidados de longo prazo.

Impactos invisíveis da doença

Embora o Parkinson seja frequentemente associado a tremoresrigidez muscular e lentidão dos movimentos, seus efeitos vão muito além dos sintomas motores. Alterações cognitivasdistúrbios do sonodepressãoansiedadedificuldade para andarrisco de quedas e perda de autonomia estão entre os fatores que mais comprometem a qualidade de vida dos pacientes.

Esses chamados sintomas não motores exigem uma abordagem de cuidado mais ampla e integrada. Com o crescimento projetado dos casos, o sistema de saúde brasileiro tende a enfrentar pressão crescente para oferecer atenção multidisciplinar, suporte familiar e acompanhamento contínuo.

Fatores modificáveis e oportunidades de prevenção

Evidências científicas indicam que o Parkinson não deve ser encarado como inevitável. No contexto brasileiro, ganham destaque fatores modificáveis associados ao risco da doença, como atividade física regularcontrole de fatores cardiovascularessaúde metabólicaexposição ambiental e manutenção de vínculos sociais.

Entre as estratégias com maior potencial de impacto estão:

  •  Promoção de hábitos saudáveis ao longo da vida
  •  Diagnóstico precoce e seguimento clínico contínuo
  •  Atenção aos sintomas não motores desde as fases iniciais

Essas ações não eliminam o risco, mas podem reduzir a incidência e retardar o aparecimento da doença.

Um desafio urgente para a saúde pública brasileira

Com a projeção de que os casos de Parkinson mais que dobrem no Brasil, o país precisará ampliar políticas voltadas ao envelhecimento saudável, à prevenção de doenças crônicas e ao cuidado de longo prazo

Investir em prevençãodiagnóstico precoce e modelos integrados de atenção será essencial para reduzir o impacto de uma condição que avança de forma silenciosa, contínua e crescente na população brasileira.

(Informações R7)

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