O pai do menino de 3 anos que morreu após ser picado por escorpião aponta falhas no atendimento ao filho no Hospital e Maternidade Madre Vannini. Foi lá que Bernardo de Lima Mendes recebeu os primeiros socorros, na terça-feira (31), mas precisou ser transferido.
Segundo o pai, houve demora no atendimento e também na identificação da gravidade do caso. Ele afirma ainda que a unidade não tinha o soro antiescorpiônico.
“O meu filho ali gritava [de dor], dentro da sala. [Falava] papai, mamãe, eu tô com muita dor na barriga, muita dor na barriga. Foi aí quando eles começaram a notar, que o caso dele era muito grave”, disse o tatuador Paulo Mendes em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
O menino foi transferido na noite de terça para a Santa Casa de Araras, mas não resistiu e morreu na manhã de quarta-feira (1°). O corpo dele foi enterrado nesta quinta (2) no Cemitério Municipal de Conchal.
Em nota, a Prefeitura de Conchal informou que o município não é unidade de referência para armazenamento e aplicação de soros antivenenos. Questionada, a administração não se posicionou sobre a demora no atendimento (veja o posicionamento completo abaixo).
Já o Hospital e Maternidade Madre Vannini informou que adotou as medidas clínicas compatíveis, não dispõe de UTI pediátrica e não integra a rede de pontos estratégicos para disponibilização de soro antiescorpiônico.
O delegado Luís Henrique Pereira informou ao g1 que será instaurado um inquérito policial para apurar a suspeita de negligência por parte do hospital de Conchal.
Segundo ele, a família deverá ser ouvida, mas a data ainda não foi definida. “A família não registrou boletim de ocorrência, mas a gente vai instaurar a partir das notícias que recebemos”, afirmou.
Paulo contou que estava brincando com o filho na área de casa, na noite de terça, quando foi preparar o jantar. Na ocasião, o filho deitou em um colchão que estava em pé ao lado de uma mesa, quando foi atacado.
“Ele tomou duas picadas no ombro. Na hora até achei que ele tinha ralado o ombro, só que a gente falou que ele estava chorando muito, não era ralado. A gente puxou e tinha duas picadas, deu para ver nitidamente que eram duas picadas”, afirmou o tatuador.
Paulo disse que a esposa sugeriu que ele erguesse o colchão, ocasião em que o escorpião tentou escapar para debaixo de uma mesa. Ele matou o animal, o colocou em um pote e foi com o filho para o Hospital e Maternidade Madre Vannini.
Durante a triagem, ele disse que o atendente recolheu o escorpião para mostrar à equipe médica. Já o menino permaneceu por um tempo na sala de espera chorando e reclamando muito de dor.
Segundo o pai, só um médico atendia naquele momento, enquanto outro estava sem pacientes. Ele diz que uma madre, que são responsáveis pela administração do hospital, percebeu a situação e pediu que o profissional atendesse a criança. Ainda segundo ele, houve demora também para a aplicação de um soro para dor.
Paulo disse que questionou se o filho receberia o soro contra picada de escorpião, mas foi informado pelo profissional que o medicamento só é aplicado quando há necessidade e que a criança ficaria em observação por seis horas. Segundo ele, nesse período, Bernardo vomitou cerca de dez vezes em apenas 20 minutos e também babava bastante.
(Informações g1)



