Padrinhos ‘adotam’ crianças carentes
Dourados – 24/10/2009
Valéria Araújo O Projeto Padrinho, lançado há pouco mais de um mês em Dourados, já cadastrou 10 pessoas dispostas a ajudarem crianças carentes. Outras 23 aguardam o processo de autorização da Vara, para se tornar doador afetivo.
De acordo com a coordenadora do projeto, Eneida Gebaile, a maioria dos padrinhos se cadastraram para doar incentivos à educação. São bolsas de estudos e cursos profissionalizantes que devem contemplar crianças e adolescentes em situação de risco ou que precisam de ajuda.
De acordo com Eneida, ainda é cedo para falar nas mudanças que o projeto trouxe para a cidade, porém considera que ele está dando oportunidade de desenvolvimento social e no campo da educação, para quem precisa. O importante é que a iniciativa vem dando certo, e muitas pessoas estão nos procurando com a intenção de ajudar nossas crianças, disse.
Para o juiz Zaloar Murat Martins de Souza, a função do apadrinhamento é contribuir de alguma maneira com a criança. Fica a critério do padrinho o tempo e tipo de ajuda, que pode ser material, afetiva, profissional e educacional.
Qualquer pessoa acima de 18 anos pode se cadastrar. Não há limite de vagas. O interessado pode ser padrinho efetivo, família acolhedora, padrinho prestador de serviço, empresa, entidade ou instituição madrinha. As pessoas podem doar o que têm para oferecer. Pode ser carinho, um serviço – no caso de profissionais ligados a saúde, educação entre outros, além de ajuda financeira para os estudos ou até mesmo uma vaga de emprego aos que estão em idade adequada para trabalhar, explica.
O interessado pode escolher o perfil da criança dentro dos critérios disponíveis para colaborar. Os interessados devem procurar a Vara da Infância e Adolescência de Dourados e fazer o cadastramento. Eles vão passar por uma breve avaliação, a cargo de assistente social.
Em Dourados, 80 crianças residem nos quatro abrigos disponíveis. Apenas um deles é governamental. Os atendimentos são destinados a crianças de zero e 18 anos.
Em boa parte dos casos (42,5%), os pais são dependentes químicos. Os 60% restantes, dividem-se em ocorrências de abandono (25%), violência doméstica (15%), estupro (7,5%), abuso sexual (5%) e pobreza (5%). Cerca de 12% das crianças são indígenas. A maioria tem idades entre 12 e 14 anos (33,7%). Do total de crianças, apenas 5% estão disponíveis judicialmente para possíveis adoções.
Conforme o Juiz, os principais prejuízos em se viver em abrigo são a carência afetiva, dificuldade para estabelecer vínculos afetivos, baixa auto-estima, atrasos no desenvolvimento psicomotor e pouca vivência com rotinas familiares. Todos estes fatores influenciaram na criação do projeto em Dourados.
Ele reforça o apelo, lembrando que, em alguns casos, a saída dos abrigos se torna difícil porque em Dourados, a maioria disponível para adoção está com idade acima da preferência das famílias cadastradas.
Os interessados em participar do projeto podem procurar a sede do Fórum às quartas-feiras, das 12h às 18h e nas quintas-feiras das 7h às 13h. O telefone para contato é : (67) 3902 1734. O e-mail é: [email protected]
Fonte: Folha de Dourados



