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Padre Crispim fala sobre “Ciência ganha da Igreja” em artigo

Artigo – 03/06/2008

Este foi o título das matérias de destaque nas TVs do País, no dia 29 de maio de 2008, por ocasião da aprovação, pelo Supremo Tribunal Federal, de pesquisas com células-tronco embrionárias.
Alguns minutos após a aprovação, muitos cientistas que antes diziam veementemente que os paraplégicos e outros portadores de deficiência teriam seus problemas resolvidos com a liberação da pesquisa com células embrionárias, apressaram-se em dizer que talvez daqui a 10 ou 15 anos os resultados sejam satisfatórios. Que pena que os nossos irmãos portadores de deficiências tenham servido de massa de manobra com esperanças imediatas.
Pergunto-me realmente: ganhou e quem perdeu?
Como saiu vitoriosa a ciência se ela mesma ainda não tem clareza sobre o assunto? Não há unanimidade entre os cientistas. Poderia aqui publicar uma lista imensa de cientistas não católicos e até ateus, que acreditam que o embrião é vida humana e a lei não permite matar seres humanos. Ganharam sim, as poderosas instituições que financiam pesquisas com o desejo de manipular a vida de pessoas.
Antes do embrião fecundado fora do útero é pertinente lembrar que por mais que queiramos fazer parecer natural gerar filhos em laboratórios, o lugar por excelência de originar a vida humana é a relação entre um homem e uma mulher, como ato de amor mútuo. Esta questão antecede até mesmo o uso de embriões em pesquisas, devemos sim nos perguntar se é lícito fabricar gente em laboratório. Não estou falando se é legal, porque para ser legal basta estar na lei, mas lícito, que depende da coerência da lei. E mais, se somente dois ou três embriões são usados para gestação, por que fabricar 10, deixando sete excedentes? E como fica a psicologia diante disso, já que descobrimos que muitos traumas que temos vêm exatamente do período da fecundação e gestação? Como será a cabeça de alguém fecundado em laboratório?
Se estes, que agora serão usados em pesquisas são considerados descartados, vamos fechar os olhos para que continuem fabricando mais ainda, para depois ir para mãos “bem intencionadas”? Até onde vamos chegar?
Através do interesse de grupos poderosos, há o desejo de fazer chegar ao inconsciente coletivo, a idéia que a Igreja Católica foi a grande derrotada. A Igreja foi mesma vencida?  Só a Igreja Católica era contrária? E as outras igrejas cristãs não foram consultadas? Não existiam outras instituições e pessoas, até não crentes, com o mesmo pensamento?
É claro que a Igreja Católica se entristece com esta decisão. Porém, tem que se perguntar o porquê? A Igreja lamenta não pelas mesmas razões que os poderosos laboratórios, OGNs de controle de natalidade, de governos promotores da cultura de morte. Esta tristeza se deve ao fato de que a vida vai perdendo o valor e pior ainda é desprezar a vida quando esta começa. Será que as demais etapas serão respeitadas?
A Igreja, é claro, acredita na concepção bíblica-criacionista e a partir da religião tem uma maneira de conceber a vida, mas isto não está de maneira alguma em contradição com a ciência, porque entende que esta última existe para promover e respeitar a vida, assim como a concepção cristã. E se a ciência não tem certeza de quando começa a vida humana, a Igreja não está fundamentada só na religião, mas na fé e na própria ciência. Defendemos a não pesquisa com embriões humanos porque a ciência não tem prova segura de que a vida não começa ali. Defendemos a pesquisa com células-tronco adultas!
Quanto à questão de ter sido vencida, a Igreja conhece bem esta história. São dois mil anos de derrotas, segundo a concepção meramente humana. Quer maior derrota que morrer numa cruz, assassinado pelos seus compatriotas? Não foi assim que Jesus morreu? Os apóstolos foram mortos, alguns decapitados, outros crucificados, os primeiros cristãos eram devorados por leões nos circos dos imperadores romanos e cortados à espada só por terem o nome de cristão. Ao longo dos XXI séculos da nossa história, a Igreja sempre sofreu estas derrotas. Jesus disse: “Obrigado Pai, porque revelastes estas coisas aos pequeninos e as escondestes aos sábios deste mundo”.
Foi de um derrotado, destruído, massacrado pela dor física e moral – fruto da difamação, que a Igreja nasceu e para sempre vai existir. Se ela não for perseguida, se não for derrotada (como quer este mundão), jamais será fiel Aquele que a constituiu e por ela deu a vida. 
Nenhum bispo, padre ou uma legião de leigos ganhariam um centavo se esta lei não tivesse passado, mas por outro lado, quanta gente deve ter aumentado sua conta bancária. Pensem nisto!
Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados

Fonte: Folha de Dourados

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