Lúcia Torraca de Cristaldo, de 52 anos, está internada há quatro dias na UPA Universitário, em Campo Grande, e enfrenta risco de morte enquanto espera transferência para um hospital. Apesar de uma liminar judicial determinar o encaminhamento imediato para a rede pública ou privada, a decisão ainda não foi cumprida.
A paciente deu entrada inicialmente na UPA do Leblon, após sucessivos atendimentos. No dia 5 de janeiro, seu quadro se agravou, apresentando delírios, sudorese intensa e confusão mental.
Segundo familiares, desde o primeiro dia os médicos alertaram sobre a necessidade urgente de um leito hospitalar, mas nenhuma vaga foi disponibilizada. A situação levou a família a acionar o Ministério Público, que conseguiu uma liminar exigindo a transferência imediata.
Além da falta de leito, os familiares denunciam ausência de medicamentos básicos. Antibióticos prescritos não estariam disponíveis na rede pública, obrigando-os a comprar os remédios por conta própria e entregá-los diariamente na unidade. Em um dos dias, mesmo com recomendação de duas doses, apenas uma foi aplicada.
A filha da paciente relatou ainda condições precárias de internação: “Minha mãe tem passado dias sem banho, sem roupas adequadas, com a fralda aberta e exalando odor forte. Onde ela está não há ventilação adequada e divide espaço com outros pacientes, incluindo um homem detido por crime grave. A gente se sente inseguros e humilhados”.
Segundo os familiares, diante das cobranças, um médico teria afirmado que há muitos pacientes em situação semelhante e que, caso ocorra a morte, a responsabilidade seria da família.
Até o fechamento da reportagem, a prefeitura não respondeu sobre a compra de leito hospitalar.
De acordo com o Top Mídia News, o caso expõe a gravidade da crise na saúde pública e a dificuldade de cumprimento de decisões judiciais.

