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Olimpíada sonhada , por Waldir Guerra

Olimpíada sonhada , por Waldir Guerra

Opinião – 19/08/2008

Waldir Guerra  
         Demorou um pouco, mas depois da primeira medalha de ouro na natação o Brasil, através do nadador César Cielo, parece ter encontrado o melhor caminho para as vitórias. 
         As quatro medalhas de bronze ganhas antes também foram importantes, mas faltava aquele estímulo – que a gente costuma dizer, falta de sorte – para nos dar uma força a mais. Agora, o estímulo veio e foi através da esperada vitória no futebol, esporte da paixão nacional, sobre a República de Camarões. Na verdade os camaroneses estavam atravessados na nossa garganta há quatro anos. 
         Aliás, no mesmo dia, sábado passado, a seleção masculina de vôlei que vinha de uma derrota frente à Rússia, conseguiu uma brilhante vitória sobre a forte seleção polonesa. Parece que a sorte começou a nos bafejar, tomara seja assim de agora em diante nessa majestosa Olimpíada.  
         Já que a paixão nacional é mesmo o futebol, não podemos esquecer a seleção feminina que vem fazendo bonito nos gramados chineses.  
         Mas falar desta Olimpíada sem dizer algo a respeito do esforço que o povo chinês fez para realizá-la seria desmerecer o grande trabalho que a China está nos mostrando. É tão grande, tão monumental, tão chocante tudo o que vemos; desde as construções que parece terem os chineses, vários Oscar Niemeyer´s à sua disposição no arrojo dos estádios.  
         E que apresentação fantástica na abertura da festa! O mundo ainda não havia assistido nada assim. Para falar a verdade tínhamos a impressão de estarmos assistindo um filme de ficção científica. Fico imaginando o esforço feito pelo governo chinês para despoluir o ar em Pequim. Milhares de fábricas estão fechadas durante os jogos olímpicos para que o ar esteja despoluído – mesmo assim, ainda se vê alguma bruma, mas nenhum atleta se queixou disso. 
         Fechar milhares de fábricas, construir estádios que são verdadeiros monumentos da arte moderna: “Ninho do Pássaro”, “Cubo de água” e outras maravilhas, nos mostra que só um governo forte e determinado consegue fazer o que foi feito nesta Olimpíada. 
         Fico, então, pensando no que teremos que fazer se formos escolhidos para sediar uma Olimpíada em 2016. Não será pouco tempo para educarmos o povo a receber bem o mundo inteiro dentro de casa? O Rio de Janeiro – cidade que deverá sediar a Olimpíada – já mostrou sua competência ao sediar os Jogos Pan-americanos, mas uma olimpíada tem outra abrangência, ela é mundial. Teremos que confinar os moradores das favelas, especialmente os dos morros que contornam a cidade, como foi feito durante os Jogos Pan-americanos?  
         Depois, antes mesmo de ficar me preocupando com o comportamento e educação dos brasileiros, preciso lembrar que o Brasil pouco faz para descobrir novos talentos, pouco faz para treinar seus atletas. Aqui é bom lembrar que nosso primeiro medalhista ouro desta Olimpíada, César Cielo, fez seus treinamentos nos Estados Unidos. Preciso lembrar também que a Jamaica, pequenino país da América Central, tem o homem mais rápido do mundo, Usain Bolt, que fez os 100 metros rasos em 9.69 segundos, mas estavam na mesma disputa mais dois jamaicanos que também fizeram a prova em menos de 10 segundos.  
         Se formos, ou não, indicados para sediar a Olimpíada de 2016 precisamos começar desde já a construção de uma nação esportiva. Nos esportes coletivos, especialmente no futebol, já somos e contamos também com Deus que sabemos é um bom brasileiro, mas quem nos garante que Sua paciência é a mesma dos brasileiros?  
         
Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.  
            [email protected]/  

Fonte: Folha de Dourados

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