OIT alerta para expansão de usinas em MS
Coordenadora do Projeto Nacional de Combate ao Trabalho Escravo alerta para que não ocorram impactos sociais graves
Preocupação – 25/04/2008
Com a estimativa de instalação de cerca 60 novas usinas em Mato Grosso do Sul nos próximos anos e geração de milhares de empregos diretos e indiretos, a produção de biocombustíveis promete mexer com a economia regional. No entanto, a poucos dias da data alusiva ao dia do trabalhador (1º de maio), a OIT (Organização Internacional do Trabalho) faz um alerta sobre boom da produção de açúcar e álcool no Estado.Coordenadora do Projeto Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Andréa Bolzon, afirma que a organização tem acompanhado com preocupação a expansão do setor em Mato Grosso do Sul. De acordo com ela, a OIT não define como incompatível o crescimento da atividade e o trabalho decente, mas faz ressalvas ao processo de instalação que vem ocorrendo no Estado. De fato, as pessoas de Mato Grosso do Sul precisam estar muito atentas com essa atividade, enfatiza, lembrando da celeridade do Estado quando o assunto é implantação de novas usinas. Andréa Bolzon conta que, em Goiás, que recentemente viveu o processo da atividade sucroalcooleira, os impactos sociais foram graves. Observamos maior ocorrência de gravidez na adolescência, assim como aumento nos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes, destaca. VICE-CAMPEÃO Mato Grosso do Sul já é hoje o segundo estado do país em casos de libertação de trabalhadores que se encontravam em situação de escravidão. O Pará lidera o ranking nacional. Somente no ano passado, foram libertados 1.779 sul-mato-grossenses que se encontravam em condições degradantes de trabalho, o que fez o estado aumentar em mais de 5.500% o número de ocorrências, se comparado a 2006. Conforme o Ministério do Trabalho, as áreas de plantio de cana-de-açúcar e carvoarias são os locais onde existem mais registros.Para a OIT, o governo precisa ter cautela e criar critérios que possam garantir, com a implantação de novas usinas, o trabalho decente. Neste momento, é necessária muita responsabilidade com este assunto. É muito perigoso, por exemplo, esse tom de deslumbramento, gerado pela expansão do setor, explica.AUDIÊNCIA Andréa Bolzon é uma das convidadas para a Audiência Pública MS pelo Trabalho Digno, de autoria do deputado Pedro Kemp. O debate acontece na Assembléia Legislativa na próxima terça-feira (29), às 13h30. Além da OIT, participam representantes do MPT (Ministério Público do Trabalho), da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da DRT (Delegacia Regional do Trabalho), CIMI (Comissão Indigenista Missionário) e da Marcha Mundial de Mulheres. Com informações da AL.
Fonte: Folha de Dourados



