Odila Lange: Repensando o consumo
Artigo – 04/08/2007
Vivemos numa sociedade altamente consumista e imediatista e é muito difícil, para não dizer impossível, fazer com que as pessoas repensem seus hábitos de consumo.
Um dos grandes desafios da sociedade moderna é o enfrentamento aos problemas ambientais causados pelos meios de produção e pelo consumo desenfreado.
É muito prático, cômodo e higiênico usar copos, coadores e fraldas descartáveis. Alguém já parou para medir os danos que isto causa ao meio ambiente? Com certeza, já. Mas muito pouco tem sido feito de concreto neste sentido. Em todo o mundo, joga-se fora um milhão de sacos e/ou sacolas plásticas por minuto. Em alguns casos, este material vai se acumular em lixões e aterros, em outros, vai para os córregos, rios e mares, ou ainda, causa enchentes pelo entupimento dos bueiros e das redes de drenagem.
As mães que me perdoem, sei que é de uma praticidade e facilidade maravilhosas, mas hoje há uma grande preocupação com o uso de fraldas descartáveis. O volume do lixo produzido por uma criança de zero a três anos que usa cinco fraldas por dia é imenso! Sem contar o tempo que demora para se degradar.
Os produtos descartáveis caracterizam os avanços de uma sociedade que se diz moderna. Mas os danos causados por esta prática são catastróficos! As vantagens oferecidas pela crescente tecnologia requer uma mudança de hábitos para que consigamos o tão almejado desenvolvimento sustentável.
Como convencer o/a consumidor/a de que estas facilidades e comodidades causam danos irreversíveis ao mundo que vivemos?
De acordo com Canclini, o consumo é um processo em que os desejos se transformam em demandas e em atos socialmente regulados, mas , além de ser útil para a expansão do mercado e a reprodução da força de trabalho, para nos distinguirmos dos demais e nos comunicarmos com eles, as mercadorias servem para pensar.
Estive recentemente em Porto Alegre e constatei que algumas empresas já adotaram as xícaras individuais para seus/as funcionários/as. Isto é apenas uma gota dágua no meio do oceano mas cada um/a deve fazer a sua parte.
Odila Schwingel Lange
A autora é advogada, mestra em História e vice-presidenta da Academia Douradense de Letras.
Fonte: Folha de Dourados



