O SENHOR
Geral – 20/08/2009
Com toda certeza, todos nós já nos deparamos com o Salmo 23 pelo menos uma vez na vida. Apesar de ser muito conhecido, tal Salmo traz uma grande profundidade em suas linhas. Talvez, muitas coisas, ao lermos, pode nos parecer óbvio, mas precisamos deixar a beleza das palavras de Davi encontrar abrigo em nosso coração.
Mas, o que o Salmo 23, em seu primeiro verso, pode me ensinar?
O Senhor é o meu Pastor: Um Relacionamento de Intimidade e Dependência de Deus
Em primeiro lugar, a expressão “o Senhor é o meu pastor” estampa um relacionamento de intimidade com Deus. Davi chama Deus de “meu” pastor. Ele sabia que a marca principal de um pastor é a sua presença constante com as ovelhas, trazendo uma relação extremamente profunda e íntima. Quando Davi diz que o Senhor é o seu pastor, ele está chamando a atenção para isso: Deus não é apenas o Deus poderoso, forte, grande, muitas vezes apresentado para nós assim nos salmos, mas é o Deus Pastor, sempre presente, sempre no controle, sempre preocupado com o seu rebanho, zelando pelo seu bem-estar, antepondo a sua vida como sustentáculo, reserva provedora para as suas ovelhas. É um Deus que se relaciona com a sua ovelha de forma intensa e íntima.
Esta expressão também revela quem nós somos diante deste pastor: ovelhas. Seres extrema e absolutamente dependentes de Deus. Dependemos de Deus para todas as coisas. Dele depende a nossa vida. Por mais que seja difícil reconhecer, a melhor coisa que um cristão pode fazer é chegar diante de Deus e admitir a sua impotência. É por isso que o apóstolo Paulo declara que é Deus quem opera em nós, tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2:13).
Fé cristã não é ritualística, mas relacional. Relação entre o pastor e sua ovelha. Relação de dependência e submissão. Deus não quer máquinas, mas ovelhas; Ele não quer servos, mas filhos. Deus, quando quis servos, criou os anjos; quando quis filhos para se relacionar, criou os homens.
Nada me Faltará: Preciso Confiar no Caráter de Deus
Em segundo lugar, a expressão “nada me faltará” apresenta o caráter de Deus. O Senhor é o meu pastor; logo, nada me faltará. Por quê? Porque entre os pastores existentes, Ele é o melhor pastor. Nesta expressão não está em voga o poder de Deus, mas o seu caráter. O salmista, então, começa o salmo com uma declaração de fé: “Deus é perfeito; Deus é o meu pastor; logo, tenho um pastor perfeito. E toda ovelha que tem um pastor perfeito não tem necessidade de coisa alguma mais”. E isto é essencial para a vida da ovelha, porque ela depende interinamente do seu pastor, como já vimos. É o pastor que a leva para beber, para comer, para o aprisco, que a livra dos perigos, que a defende de predadores, que a leva de um lugar para o outro.
Mas a expressão é ainda mais profunda! Se temos um pastor perfeito, que não nos deixa faltar nada, não precisamos ter ansiedade por coisa alguma. A ansiedade indica o grau da nossa tentativa em ser auto-suficientes em relação a Deus. A ansiedade é a negação do “nada me faltará”. Pois, se nada nos faltará, não temos motivos para nos preocupar.
A ansiedade só pode mudar uma coisa em nossas vidas: a nossa confiança no caráter de Deus, pois se estamos ansiosos é porque o Senhor está deixando faltar alguma coisa. E, se o Senhor está deixando faltar alguma coisa, então, ele não é tudo aquilo que acreditávamos. A ansiedade diz que o Senhor é o nosso pastor, mas que isso não é garantia de que nada nos faltará.
Concluindo, este primeiro verso do Salmo 23 me mostra que fé cristã é uma fé relacional. Deus quer relacionamento e não mera religiosidade. Relacionamento de pastor e ovelha, onde há total dependência de Deus. E se tenho este pastor sobre a minha vida, que é perfeito em todas as suas características de pastor, como ovelha, não preciso ficar ansiosa, pois Ele me supre e suprirá em tudo.
Soli Deo gloria!
Rev. Vagner Rodrigues Morais, graduado em Teologia, faz parte da Equipe Pastoral da Igreja Presbiteriana Independente de Dourados. E-mail: [email protected]
Fonte: Folha de Dourados



