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O recado político do Suave Milagre

Opinião – 25/11/2009

José Maria Eça de Queiroz (1845-1900) é por muitos aplaudido como o maior romancista português. O autor de “A Ilustre Casa de Ramires”, crítico mordaz da sociedade de sua época, escreveu uma das mais comoventes páginas da literatura mundial. Contudo, poucos alcançaram a sua mensagem política.
Numa hora de tanta mate rialidade, em que o Ser Humano, sufocado pela violência, começa acentuadamente a procurar no Amparo Divino socorro para os seus desesperos particulares e coletivos, só lhe pode fazer bem, enquanto com paciência aguarda pelas soluções terrenas, a recordação da súplica de um pequenino atendida por um dos maiores símbolos de solidariedade de que se tem notícia:
“Nesse tempo Jesus ainda não saíra da Galileia, das margens do lago de Genesaré; mas a nova dos Seus milagres chegara já a Siquém, cidade rica, entre vinhedos, no país de Samaria. Ora, junto a Siquém, num casebre, vivia uma viúva desgraçada entre todas, que tinha um filho doente com as febres. O chão miserável não estava caiado, nem nele havia enxerga. Na lâmpada de barro vermelho secara o azeite. O grão faltava na arca, o ruído dormente do moinho doméstico cessara, e esta era em Israel a evidência cruel de infinita miséria. A pobre mãe, sentada a um canto, cho rava. E, estendida sobre os joelhos, embrulhada em farrapos, pálida e tremendo, a criança pedia-lhe, numa voz débil como um suspiro, que lhe fosse chamar esse Rabi da Galileia, de quem ouvira falar junto ao poço de Jacó, que amava as crianças, que nutria as multidões e curava todos os males humanos com a carícia das Suas mãos. E a mãe dizia, chorando:
“

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