O que fazer contra a corrupção? Pe. Crispim
Leia – 21/05/2008
Mais de 600 pessoas que praticaram corrupção nas diversas esferas políticas do País, foram cassadas pela Lei 9.840, fruto da campanha desencadeada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e outros organismos da Igreja Católica, juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e demais entidades afins.
Seria impossível negar a grande contribuição destas instituições à sociedade brasileira. Antes, muitos cometiam tais crimes e continuavam exercendo seus mandatos, ganhando gordos salários dos cofres públicos.
Em ano de eleição nunca é demais recordar, diz a CNBB: “o voto que depositamos nos candidatos, exige dos eleitores e eleitos um compromisso com a democracia”. O mandato não é de uma pessoa, mas da comunidade que o elegeu, portanto não deve o eleito realizar seu trabalho de modo isolado, tendo como fundamento o próprio bem, mas necessita fundamentar seu agir exclusivamente para o bem do povo. O eleitor, por sua vez, não precisa se excluir do processo eleitoral logo após o pleito, ao contrário, o acompanhamento aos seus representantes é de fundamental importância para que a missão confiada a alguns seja desempenhada com critérios éticos.
Claro que nenhuma campanha vai surtir efeito se cada pessoa não contribuir e a melhor maneira é não se deixar corromper, pois sabemos que a corrupção pessoal e estrutural perpassa as malhas da nossa história – infelizmente. A Lei 9.840 muito contribuiu para retirar do exercício do poder – elementos que não souberam honrar a confiança depositada por nós eleitores, agora ela pode ser aprimorada, através do “Projeto de Lei de iniciativa popular, complementar”, que prevê a proibição de candidaturas de quem já foi condenado em primeira instância em processo criminal ou civil ou que esteja sendo processado.
O porquê desta lei complementar é para evitar que aqueles políticos que se envolveram em falcatruas, não querendo perder o mandato, renunciem antes de serem julgados e depois, nas eleições seguintes, como se nada tivesse acontecido, retornem ao poder. É evidente que nestes casos, o eleitor tem uma parcela de culpa, pois não procura recordar o passado da pessoa e novamente os elegem.
Em outubro teremos as eleições municipais, sabemos que o exercício político nestas instâncias é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. É no município que podemos exercer nosso direito à participação de modo mais incisivo, por isso mesmo, se não queremos ficar reclamando dos políticos devemos votar bem, escolher pessoas que nos representem com dignidade. Se eles nos representam e são honestos, é porque o povo é honesto, escolheu cidadãos que não compram votos, que não prometem o que não podem cumprir, que não oferecem cestas básicas e remédios e/ou outros desserviços, para ludibriar o povo. Mas se nossos representantes são corruptos, temos de admitir que o são porque nós os elegemos, portanto somos de uma forma ou de outra também corruptos, compactuamos com práticas desonestas, criticamos tais políticos, no entanto, não verificamos nossos próprios métodos de escolha.
Para o cristão católico e porque não para os demais cristãos e pessoas de bom senso, é importante chamar a atenção para a tarefa de iluminar as consciências e assim despertar os valores sociais, através do nosso testemunho. Como católicos, “convidamos nossas comunidades a realizar debates e reflexões sobre o programa dos partidos” e dos candidatos. Olhar bem quem se propõe nos representar, seu compromisso com os valores cristãos, seus critérios éticos, seu respeito pela família, liberdade, seu empenho pela melhoria da saúde e da educação e para quem já foi eleito anteriormente e é candidato neste pleito, seu patrimônio está condizente com o salário ou aumentou demasiadamente.
É dever do cristão apoiar a participação de pessoas honestas no exercício do poder público. Esta é a hora de trabalhar para que bons candidatos nos representem.
Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados.
Fonte: Folha de Dourados



