O papel da mídia na prevenção
''Na sociedade contemporânea, a mídia constitui um dos fatores fundamentais na formação do que é comumente conhecido como opinião públ
Drogas – 08/09/2009
”Na sociedade contemporânea, a mídia constitui um dos fatores fundamentais na formação do que é comumente conhecido como opinião pública. (…) quando se aplica a um assunto que apresenta uma fraca tradição de pesquisa no Brasil, como é o caso da questão das drogas, (…) os conteúdos das reportagens da mídia têm a permissão de reinar sozinhos (…) o que é visto, lido e ouvido, através da mídia, no que se refere às drogas, tende a se tornar a única medida padrão de verdade para a grande maioria da população brasileira.” (Beatriz Carlini-Cotrim; José Carlos F. Galduróz; Ana R. Noto, Ilana Pinsky – “A mídia na fabricação do pânico: um estudo no Brasil”).
A mídia tem o papel de manter a população informada. A população, por outro lado, não deve se colocar como mera receptora passiva daquilo que é veiculado pelos meios de comunicação. Para tanto, é necessário que cada pessoa exercite sua atitude crítica, filtrando as informações recebidas, questionando-as, fazendo um contraponto e buscando, na opinião pública, uma opinião própria, particular, com a qual se identifique e na qual acredite. Porém, o que normalmente ocorre é o oposto. A mídia costuma distorcer os dados e descrevê-los incompletos. O público, de outro lado, acaba por recebê-los como descrição fiel da realidade.
Na área de drogas isso é bem visível. Há uma tendência a se abordar questões ligadas ao tráfico, à dependência e às drogas ilícitas. É claro que estes pontos devem ser discutidos, mas não como únicos e mais importantes, uma vez que o fenômeno das drogas não se resume a isto. Neste caso, é importante que se reveja a dimensão do assunto e a complexidade de fatores nele envolvidos, evitando-se posições unilaterais bem como formas de abordagem com manchetes e reportagens de cunhos alarmista e sensacionalista. O uso indevido que a mídia faz dos dados que obtém, revela uma preocupação muito mais voltada para a venda e o ibope dos veículos, do que para o repasse fidedigno das informações.
O CEBRID, em sua discussão sobre os resultados do “III Levantamento sobre o Uso de Drogas entre Estudantes de 1º e 2º graus em 10 Capitais Brasileiras -1993” relata o seguinte: “Uma observação importante diz respeito aos constantes alardes da mídia sobre o aumento do uso da cocaína. Este fato está refletido neste estudo, onde se notou um aumento de uso na vida nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. Não seria o momento de se perguntar se a mídia não atuou no sentido de propagandear o uso desta droga? Porém, ao se verificarem os dados colhidos nesta pesquisa referente à maconha, pode-se notar que em sete cidades houve tendência de aumento de uso na vida… Estes dados podem indicar que uma abordagem errada está ocorrendo em relação ao abuso de drogas no país: todos os esforços colocados sobre a droga eleita da década – a cocaína, desfocando-se a atenção sobre o aumento no uso de outras drogas.”.
Fonte: Folha de Dourados



