Juliel Batista –
A renovação política, a valorização da educação pública, a defesa das pautas sociais e a necessidade de formação de novas lideranças foram alguns dos principais temas abordados pelo professor universitário e pré-candidato a deputado estadual Tiago Botelho (PT), quarto entrevistado da série especial Eleições 2026 do FolhaCast, da Folha de Dourados. Ao longo da conversa, ele relembrou sua trajetória acadêmica, suas disputas eleitorais e os desafios que pretende enfrentar caso conquiste uma vaga na Assembleia Legislativa.
Professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), doutor em Direito Socioambiental e ex-superintendente da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em Mato Grosso do Sul, Tiago afirmou que sua entrada na política surgiu da necessidade de renovação dos quadros partidários e da participação de uma nova geração nos espaços de poder. “O PT perde quando perde a capacidade de perder”, declarou, ao defender que as derrotas eleitorais também fazem parte da construção política.
Durante a entrevista, o petista destacou sua origem no interior do Estado, passando por Ivinhema, Naviraí e Dourados, além de sua formação em Direito e História. Segundo ele, a universidade pública foi determinante em sua trajetória. “A universidade que o presidente Lula cria, eu faço uma graduação e viro professor dela. A universidade pública muda vidas”, afirmou.
Ao comentar sua passagem pela SPU, Tiago ressaltou ações voltadas à destinação social de áreas da União, viabilizando projetos habitacionais, escolas, equipamentos públicos e investimentos em diversos municípios sul-mato-grossenses. Também defendeu uma gestão pública baseada no diálogo institucional, independentemente de diferenças partidárias, e criticou modelos de privatização em áreas como saúde e educação.
Pré-candidato a deputado estadual, Tiago Botelho afirmou que pretende priorizar pautas ligadas à educação, saúde, cultura, direitos das minorias e fortalecimento do interior do Estado. “Eu quero ser o deputado da educação”, resumiu. Ao final, reforçou sua defesa da renovação política dentro do próprio PT e afirmou que seu projeto eleitoral busca representar não apenas sua candidatura, mas diversos segmentos sociais que, segundo ele, precisam ter voz nos espaços de decisão.

Assista a entrevista completa, através do link: https://youtu.be/eHis-0D4rwg
Confira a entrevista:
Como você avalia sua trajetória política após as candidaturas ao Senado e à Prefeitura de Dourados?
Tenho orgulho das minhas derrotas. Fui candidato ao Senado e à Prefeitura defendendo um projeto político. “Perder faz parte da política. O PT perde quando perde a capacidade de perder.” O importante foi construir um caminho, fortalecer o partido e abrir espaço para novas lideranças.
Você fala muito sobre renovação política. Por quê?
Porque os partidos envelheceram. “Tem que renovar o PT, tem que renovar o MDB, tem que renovar o PL.” Estamos chegando ao fim de ciclos históricos e precisamos preparar novas gerações para ocupar os espaços políticos.
Conte um pouco sobre sua trajetória pessoal e profissional.
Sou filho do interior. Nasci em Vinhema, cresci em Naviraí e vim para Dourados estudar. Fiz Direito na UEMS, História na UFGD, me tornei mestre, doutor e professor da universidade onde me formei. “A universidade pública muda vidas.”
Como surgiu sua ligação com a política?
Cresci em uma família politizada. Meu pai atuava na questão agrária e minha mãe era professora, sindicalista e feminista. Desde cedo convivi com movimentos sociais, sindicatos, assentamentos e comunidades indígenas. Isso moldou minha visão de mundo.
O que representou sua passagem pela SPU?
Foi uma oportunidade de transformar patrimônio público em patrimônio social. Conseguimos viabilizar escolas, moradias, equipamentos públicos e projetos em diversos municípios. “A gente pega uma geladeira e transforma em ativo social.”
Quais foram seus principais aprendizados nas campanhas eleitorais?
Primeiro, quem entra na política precisa aprender a lidar com críticas. Segundo, “está tudo bem perder”. E terceiro: “não desista dos seus sonhos”. Política exige persistência e convicção.
Como você avalia o governo Eduardo Riedel?
Considero uma gestão sem uma marca clara. Tenho divergências, especialmente na área das privatizações e terceirizações, mas também reconheço que é um governo com o qual é possível dialogar institucionalmente.
Quais serão suas principais bandeiras na campanha?
Educação em primeiro lugar. “Eu quero ser o deputado da educação.” Também pretendo atuar fortemente em saúde, defesa das minorias, cultura, direitos indígenas, comunidade LGBT+, quilombolas e fortalecimento do interior.
Qual é sua visão sobre cultura?
A cultura precisa ser tratada como prioridade. Quero destinar parte das emendas parlamentares para projetos culturais. Quem vive no interior também tem direito ao acesso à arte, ao teatro, às feiras e à valorização da identidade regional.
Quem é Tiago Botelho fora da política?
Sou professor, flamenguista, apaixonado por samba, pelos amigos e pela vida. Acredito que “as coisas devem ser medidas pelo encantamento que elas nos trazem”. E a política ainda me encanta.
O que o eleitor pode esperar de um eventual mandato seu?
Um mandato popular, presente nos bairros, nas escolas, nas feiras e na periferia. “O povo pode esperar um dos seus na Assembleia Legislativa”, alguém comprometido com a classe trabalhadora e com a melhoria da vida das pessoas.
Considerações finais.
Se a população quer soluções novas para problemas antigos, precisa abrir espaço para novas lideranças. “O novo sempre vem.” E acredito que essa renovação também precisa acontecer dentro do Partido dos Trabalhadores e da política sul-mato-grossense.




