O Gaúcho
Artigo – 20/09/2007
Ermínio Guedes dos Santos*
Os gaúchos vêem de longe. Dos entreveros históricos ocorridos no garrão brasileiro, lá pelo séc. XVIII surge uma identidade nova, de um homem destemido, forjado nas lutas fronteiriças, se constituindo na síntese do encontro ibérico com os povos indígenas locais, personificando o sangue nativo que viria a se consolidar num estilo humano de notável valor.
Mestiço, charrua, lusitano ou espanhol, não importa a combinação, um homem do campo, afeito a vida dura na lida campeira, cuja herança de coragem, espírito de luta e trabalho, vem dos ensinamentos das lutas, das peleias em que se envolveu e dos amores que viveu.
Os tempos fizeram do gaúcho um missionário de conquistas carregando na garupa uma cultura tipicamente brasileira, resultante das misturas raciais acumuladas. No séc XIX, alemães e italianos, entre outros, enriqueceram a cultura gaúcha, sobre tudo na culinária, na música e na dança.
O gaúcho é campo, é cavalo, é galpão, é o cantar livre. Montado em seu cavalo, é o centauro dos pampas, mais perto de Deus podendo conversar com Ele e campear no horizonte, os encantos da vida, no sentido mais puro da liberdade. No galpão, ronca o verde topetudo com gosto de paz e brotam acordes de uma melodia que vem da alma empurrando a saudade e cantando felicidade.
No campo a campereada da vida, no cavalo a força para vencer domando a sorte caborteira e, no cheiro do galpão, o reponte das paixões perdidas, sofrenando o coração pelo amor que quer ficar. O calor do braseiro acaricia as conquistas, os sonhos e o respeito pelo que está por vir. Deste altar sagrado saem acordes de esperança tirados por dedos mágicos que acordam sentimentos tão profundos que não se pode medir e tão sensíveis que todos podemos sentir.
O gaúcho é um devoto da existência, é a telúrica paixão que se orgulha das suas tradições, as colocando como referência ao sentido da vida.
Gaúcho é liberdade, igualdade e fraternidade. O gaúcho é uma raça, é o laçador, é um momento nacional. E como diz o verso do Poeta Marco Aurélio Campus:
Sou terra e sangue,
Sou verso,
Sou maior que a história grega.
Eu sou gaúcho
E me chega,
Para ser feliz no Universo.
Parabéns a todas as gaúchas e gaúchos de origem e de sentimento, por este 20 de setembro; o Dia do Gaúcho.
*O autor é patrão do CTG Querência do Sul, de Dourados
Fonte: Folha de Dourados



