O ciclista não pensa que é Deus, ele tem certeza
Abílio Pietramale: – 24/09/2009
O jornalista e especialista em manobras radicais com bicicletas, Abílio Pietramale, 36, é a pessoa que mais tem incentivado o uso de bicicletas e o esporte sobre duas rodas não motorizadas em Dourados há vários, mantendo há seis o projeto “Trânsito e preservação ambiental se aprende desde cedo” com apoio de empresários locais.Aproveitando o momento de atividades e discussões como parte da Semana do Trânsito, a reportagem do douradosinforma procurou ouvi-lo para falar um pouco sobre a realidade dos ciclistas locais. Ele foi incisivo sobre a displicência no trânsito dessas pessoas: “Aqui o ciclista não pensa que é Deus, ele tem certeza (…)”.Ele disse que os ciclistas têm muito mais condições de praticar a direção defensiva, mas não o fazem. Pior que isso, ainda se arrisca em pontos perigosos. Citou, como exemplo, os trabalhadores da indústria Cargill que fica na BR-163, na saída da cidade, onde muitos vão de bicicleta e nesse trecho já ocorreram cinco acidentes com vítimas fatais neste ano, alguns à noite. A maior parte das bicicletas sequer possui refletores e sinalização de segurança para que possam ser vistas à distância pelos motoristas.Abílio disse que hoje a manutenção de uma bicicleta custar 2% do valor do salário mínimo por mês e a maior parte dos ciclistas são descuidados porque não fazem os devidos reapertos para evitar aumentar a vida útil das peças.Em relação às ciclofaixas ele fez uma crítica, segundo ele, construtiva. Ele observou que nas ruas onde foram instaladas as ciclofaixas colocaram a cada 50 metros uma placa identificando a faixa para bicicletas e a propaganda da gestão anterior. Cada placa, afirmou, deve custar R$ 500 ou mais, e em nenhuma delas havia as informações básicas: não andar em faixa dupla, não caminhar sobre a ciclofaixa e só usar a fila dupla no momento da ultrapassagem, além de respeitar o espaço de quem vai e quem vem como em uma rodovia.Ele disse que costuma mostrar nas palavras às crianças o exemplo do bebê quando costuma a engatinhar e precisa descer algum degrau. O bebê normalmente se vira de costas e desce com cuidado, sabe que se for descer de frente pode cair e se machucar. “Mas as pessoas vão crescendo e perdendo essas noções (…) Os jovens perdem a noção do perigo (…) O ciclista normalmente acha que as placas não são para eles (…)”.Considera normal o fato de a cidade ter perto de 100 mil bicicletas porque a geografia é plana e isso facilita a prática do ciclismo, mas cobra responsabilidade. O projeto dele já foi premiado pelo Detran e ele foi o autor também do projeto para colocação de refletores em 40 mil bicicletas da cidade, o que foi feito na gestão anterior.Lamentou ainda o fato da maior parte das bicicletas não possuir o kit de segurança, o que poderia contribuir em muito para a redução de acidentes.
Fonte: Folha de Dourados



