Victor Teixeira –
Os mais recentes dados sobre o acesso a trabalho e programas assistenciais no estado não dizem tudo sobre sua realidade. Os índices positivos relacionados a admissões para trabalho formal, demissões e dependência do Bolsa Família não são o retrato íntegro dos esforços estatais e sociais pela superação de desigualdades.
De acordo com um painel de dados da Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul), 2025 registrou 419.744 admissões contra 400.130 demissões. As primeiras aumentaram em comparação às 412.535 registradas em 2024, enquanto as últimas apresentaram-se em menor quantidade frente às 400.280 de 12 meses antes.
Os informes mensais do Governo Federal sobre o Bolsa Família veiculados entre abril de 2025 e março de 2026 apontam que o número de beneficiários caiu de 201.654 para 178.775. Isso, é claro, sinaliza tanto casos de famílias que superaram vulnerabilidades sociais quanto situações de não cooperação com as regras do programa.
As estatísticas sobre o acesso a emprego dependem parcialmente das que vierem depois para confirmar o êxito na forma como o Bolsa Família é gerido em lidar com as raízes estruturais dos percalços financeiros enfrentados pelas famílias. Uma grande parcela da configuração das contratações de pessoas que não dependiam desse programa ou qualquer outro comandado pela União ou o estado não escapa da influência de como as oportunidades andam sendo disponibilizadas aos mais diversos grupos sociais desde antes do momento atual retratado nos dados numéricos.
Tendo como exemplo o acesso feminino a ensino, dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) apontam que o número de mulheres concluintes de Ensino Médio cresceu 8% entre 2020 e 2023 – de 28.712 para 31.021 – o que as manteve em uma tendência de dominância apesar de a conclusão de dita etapa entre homens ter crescido 10% – de 24.385 para 26.890. No tocante ao ensino superior, o levantamento também mostra que entre as mulheres o número de concluintes aumentou no mesmo período – de 9.841 para 11.110 – mais do que entre os homens – de 6.312 para 7.230.
A tendência crescente da educação feminina, porém, não tem estimulado um equilíbrio na remuneração das mulheres pelo mercado de trabalho. Disparidades nos salários são observadas até no setor varejista, cujos afazeres não envolvem diferenças significativas de qualificação e produtividade entre os gêneros e cuja relevância é maior em cidades com menos população e diversidade econômica. Em 2021 a Relação Anual de Informações sociais (RAIS) revelou que a diferença salarial desfavorável às mulheres era de, por exemplo, 13,27% em Campo Grande, 4,20% em Dourados, 22,61% em Três Lagoas, 1,17% em Corumbá, 6,15% em Ponta Porã, 29,58% em Naviraí, 18,10% em Nova Andradina, 11,90% em Sidrolândia, -1,64% em Aquidauana e 8,35% em Maracaju.





