Desde 1968 - Ano 56

24.7 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioBrasil'Nunca foi nossa intenção achar petróleo', diz filho de agricultor que encontrou...

‘Nunca foi nossa intenção achar petróleo’, diz filho de agricultor que encontrou líquido preto ao perfurar poço artesiano

O filho do agricultor Sidrônio Moreira, cearense que encontrou uma possível jazida de petróleo em seu quintal após perfurar o solo na cidade de Tabuleiro do Norte (CE), ainda nutre a esperança de encontrar água no sítio onde mora com o pai, a mãe e um irmão.

Sidnei Moreira e a família enfrentam dificuldades para acessar água encanada na região e dependem de uma adutora e carros-pipa para realizar tarefas básicas, como lavar a louça.

“No primeiro momento que a gente viu que não era água, eu fiz um mecanismo para conseguir tirar uma amostra e ver o que de fato era. Acabamos encontrando esse óleo. Um dos medos da gente era que ninguém acreditasse que era óleo para vir analisar. O IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará) pediu uma amostra do material e enviei para eles. A partir disso, surgiu todo o estudo”, relembra Sidnei ao g1.

O fazendeiro não desistiu de seu objetivo: encontrar água para tranquilizar a família. Hoje, ele cuida de cerca de 20 animais e plantações de feijão e milho. Enquanto não consegue uma fonte própria, conta com água enviada pela prefeitura em carros-pipa e uma adutora que abastece a região.

Para beber, a família compra água mineral na cidade, gastando cerca de R$ 100 por mês. Sidnei fazia faculdade em Mossoró (RN), mas há dois anos retornou para o Sítio Santo Estevão a fim de ajudar o Seu Sidrônio nas tarefas diárias do sítio.

Ele conta que, no período de chuva, os problemas diminuem. Mas, quando não há precipitações, as atividades ficam bem limitadas: “Agora está tudo verde, mas no período em que não tem chuva, é tudo seco, só tem água para os animais, e a gente prioriza eles. A gente não pode ter irrigação, horta, nenhum canteiro. Mas a expectativa mesmo é encontrar água na propriedade”, pontua Sidnei.

O filho de Seu Sidrônio não faz planos caso o líquido “estranho” encontrado no terreno seja mesmo petróleo. Em relação a isso, ele prefere “manter os pés no chão”, como relatou ao g1 durante visita da equipe à Tabuleiro do Norte:

“A gente trabalha bastante com os pés no chão. A gente não sabe ainda o que é, se vai ser possível explorar esse material, a gente ainda não tem essa noção. E a gente vai continuar com a nossa vida normal no campo mesmo, porque nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água”.

Caso seja confirmado, o agricultor poderá ‘lucrar’?
A resposta é complexa. Conforme os técnicos da ANP relataram ao g1, o agricultor não será dono do petróleo, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União.

No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual do lucro.

➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia, já que outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos.

Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados.

Em resumo, embora o agricultor não tenha a titularidade sobre o recurso e não possa vendê-lo por conta própria, ele tem o direito de receber essa compensação financeira caso a extração comercial se concretize.

(Informações G1)

- Publicidade -

MAIS LIDAS