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Novo assessor de André tem 10 processos por calote

Política – 03/04/2009

O pecuarista e ex-secretário estadual de Fazenda, Thiago Franco Cançado, nomeado nesta sexta-feira (3) para assessorar a equipe econômica do governo de André Pucinelli (PMDB) é contestado em ao menos dez processos que correm na justiça sul-mato-grossense por dívidas e supostos golpes praticados contra negociantes de bois.
Cançado, cujo salário mensal será de R$ 10 mil, estaria devendo algo em torno de R$ 7 milhões, dívida cobrada judicialmente.
Só na cidade de Coxim, o ex-secretário, dono de fazendas, teria dado calotes que provocaram prejuízos de ao menos R$ 6 milhões aos produtores rurais.
Para Puccinelli, o fato do ex-secretário ser contestado na Justiça, não tem importância: “Ele foi o melhor secretário de Fazenda que Mato Grosso do Sul já teve (…) já foi condenado? Então, ele vai trabalhar no meu governo”, foi o que disse o governador ao ser questionado sobre os processos judiciais contra Cançado, nesta manhã antes de embarcar para Bonito.
De acordo com informações publicadas no site do Tribunal de Justiça, Thiago Cançado estaria devendo além dos quase cerca de R$ 6 milhões aos produtores de Coxim, mais ao menos R$ 1 milhão a produtores de Campo Grande.
Em alguns processos, a justiça já mandou o ex-secretário pagar os credores sob pena de ter os bens penhorados. O ex-secretário, segundo os escritos nos processos, contesta as denúncias e dívidas.
Suposta trama
O nome do ex-secretário acabou numa ficha policial em outubro do ano passado, em Coxim, município onde segundo os denunciantes, ele compra bois há pelo menos 13 anos.
Cançado passou a cair no descrédito dos vendedores de gado a partir de uma denúncia movida contra Luis Cláudio Vital Oshiro, conhecido como Japonês.
Era japonês quem ia à cidade e acertava a compra dos bois. O advogado Pedro Ronny Argerin, que defende nove supostas vítimas dos golpes do ex-secretário, disse que Japonês ora pagava o gado comprado com cheques seus ora com cheques assinados pelo ex-secretário.
O mesmo ocorria na emissão de notas fiscais que comprovavam o negócio.
Ocorre que até agora, segundo o defensor dos produtores, apenas Japonês aparece como o suposto golpista.
Cheques
“Tenho aqui cheques assinados pelo ex-secretário [Cançado] de R$ 59 mil, R$ 31 mil, R$ 26 mil, alguns sustados, outros sem fundos. O Japonês era um funcionário do senhor Thiago e vinha aqui a mando dele, negociava em nome dele. Os cheques emitidos por Thiago somam quase R$ 1 milhão e, pelo Japonês, uns R$ 4 milhões”, afirmou o defensor.
De acordo com o advogado, Japonês comprava o gado e mandava os animais para fazendas de propriedade da família de Cançado, situadas em Campo Grande, Camapuã e Bodoquena.
Angerin disse ainda que Japonês mora em Campo Grande e, em recente declaração assinada e protocolada em cartório, informa que todas as compras de gado eram comandas por Cançado.
“Ele alega que era um funcionário, apenas”, disse o defensor que vai incluir a declaração numa outra ação que pretende mover contra o ex-secretário, onde cobra a dívida não paga pelos bois e ainda vai pedir indenização. “Além de não pagar a dívida, ele está negando ter comprado o gado, culpando o seu funcionário”.
Até os motoristas que transportavam o gado negociado em Coxim, movem ações contra Cançado.
Eles afirmam que os animais era levados em comboio para as fazendas da família do ex-secretário. Um deles, João Moares Neto, teria tido um prejuízo de R$ 200 mil, segundo o advogado.
Em Coxim, movem ações contra o ex-secretários os pecuaristas Olívio Matos, Marcos Marques de Matos, Pedro Dias Filho, José Raimundo dos Santos, Nilton Neia Nogueira e Roberto Pedro Tonial, além um posto de gasolina, cujo dono também vende bois. “Tem gente que perdeu tudo que tinha”, disse o advogado.
Na Capital
Já em Campo Grande, o ex-secretário teria dado o calote em José Aparecido Ferreira (43 mil), Jair Paschaletto (75 mil), Elias Chafic Ferzeli Filho (256 mil), Wadson Lander (252 mil), Anderson Augusto Rodrigues (215 mil). Essas dívidas são cobradas por meio de processos movidos nas 6ª, 7ª, 8ª, 10ª e 15ª varas cíveis.
O ex-secretário é protestado até por uma empresa de factoring, que denuncia a dívida não paga de R$ 10 mil.
Outro lado
O Midiamax tentou conversar com Thiago Cançado, mas não conseguiu. Por meio de um telefonema, uma pessoa da casa do ex-secretário, que se identificou como Reinaldo, disse que Thiago Cançado tinha saído pela manhã dizendo que ia para o aeroporto, de onde seguira viagem “ou para Uberaba (MG), ou para São Paulo”.
Reinaldo perguntou que assunto seria tratado com o ex-secretário, e fora informado, mas não houve retorno.
Thiago Cançado foi secretário de Fazenda no período governado por Wilson Barbosa e de Administração no governo de Marcelo Miranda, seu primo. (Com informações do Edição MS)

Fonte: Midiamax

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