DOURADOS

Dourados: mais de 30 professores podem ser demitidos do Ceejad

27/11/2017 15h44

Dourados: mais de 30 professores podem ser demitidos do Ceejad

Por: Folha de Dourados
 
 
O imponente prédio que por pouco não se transformou num elefante brancoO imponente prédio que por pouco não se transformou num elefante branco

Após o "despejo sem aviso prévio" do prédio onde funcionou por 33 anos nas proximidades da Unigran, o Centro de Educação de Jovens e Adultos de Dourados (Ceejad) é agora alvo de outra arbitrariedade da Secretaria de Estado de Educação, que pretende antecipar a renovação do projeto de EJA em dois anos sob a alegação da necessidade de unificação no Estado, ou seja, com Campo Grande, onde existe a outra unidade similar em Mato Grosso do Sul.

Se as mudanças propostas em "minuta de projeto" (veja abaixo) forem efetivadas cerca de 30 professores contratados serão demitidos e centenas de estudantes devem abandonar o Ceejad, já que extingue o período de atendimento intermediário (16h às 19h), reduz a carga horária o que resultará na necessidade de tempo maior no término dos estudos.

O período intermediário, que deve ser extinguido com o novo projeto proposto na tal minuta, atende um público composto por donas de casa, trabalhadoras domésticas e comerciários com horário de trabalho diferenciado.

Se não bastasse a redução de um dos quatro períodos de atendimento, a nova política proposta pela Secretaria de Educação também limita em 3 horas por dia a carga horária dos alunos. Hoje eles têm liberdade de transitar em todos os períodos para sanar dúvidas com os professores.

O projeto diferenciado em andamento do Ceejad foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação para funcionar de 2014 a 2019 e hoje atende cerca de 2.100 estudantes de Dourados e região. Caso as mudanças sejam implantadas haverá desperdício de dinheiro público com a mudança de apostilas, além da demissão de professores e evasão de centenas de alunos.

A alegada contenção de despesa do governo do Estado que justificaria as novas políticas da Secretaria de Educação, em Dourados, como a mudança de prédio e agora de projeto, tem um custo-benefício duvidoso, já que os maiores prejudicados são os jovens e adultos repetentes ou evadidos do ensino regular. E a "Educação" é vendida à população como prioridade de Estado.

No prédio onde deveria funcionar uma escola técnica federal, construída com as tais emendas eleitoreiras ao Orçamento Geral da União que não preveem equipamentos e recursos humanos para o funcionamento, o Ceejad encontra-se à deriva, já que seu futuro é incerto se um dia os cursos entrarem em funcionamento. Na verdade, só foi remanejado para lá a fim de evitar que o imponente prédio, se tornasse um "elefante branco" - e mais um símbolo de desperdício de recursos públicos em Dourados.

Mesmo pegos de surpresa no meio deste ano com a imposição de mudança de sede, do Norte para o Sul de Dourados os professores apresentaram reivindicações para atenuar os prejuízos, mas até hoje não foram atendidos.

Eles querem que os ônibus vindos de outros municípios passem pela nova unidade escolar, para garantir a frequência aos estudos. Também solicitam linha de transporte coletivo urbano chegando até a nova escola.

Os professores reivindicam ainda melhoria nas condições de trabalho, com oferta em especialização na EJA e que a aventada proposta de criação de mais dois polos em Três Lagoas e Corumbá, que seja implantada com base no projeto de Dourados.

No antigo local, o Ceejad recebia alunos de Caarapó, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Ponta Porã, Amambai, Deodápolis, Laguna Carapã entre outras. Muitos desses alunos vindos de outros municípios, pela manhã, passavam o dia estudando as apostilas elaboradas pelos próprios professores, tirando as dúvidas dos conteúdos em atendimentos personalizados e realizando provas, quando atingiam a carga horária estipulada para cada avaliação.

Também atendia dezenas de alunos indígenas, graças às proximidades daquele endereço com as aldeias do município. Os poucos que permanecem chegam até a escola de bicicleta ou carona, tendo aumentado drasticamente a distância em relação à reserva indígena.

Hoje os estudantes precisam caminhar por 600 metros, já que o ponto mais próximo fica na Avenida Hayel Bon Faker. A situação fica mais dramática no período noturno, já que várias ruas carecem de iluminação.

Muitos alunos vindos de outros municípios desistiram em sua grande maioria já que o único ônibus que chega até ao portão desta unidade é o de Laguna Carapã, no período noturno.

 

Envie seu Comentário