Educação de Jovens e Adultos

Ceeja - Campo Grande não ouve Dourados e alunos serão prejudicados

A postergação para o segundo semestre deste ano do projeto de Ensino a Distância (EAD) criou o imbróglio

02/03/2020 08h41 - Por: Folha de Dourados

 
Gilmarisa Dezian de Pellegrin, Irene Faccin, Viro José Konzen e Antonio Leopoldo Van Suypene - Foto: José Henrique MarquesGilmarisa Dezian de Pellegrin, Irene Faccin, Viro José Konzen e Antonio Leopoldo Van Suypene - Foto: José Henrique Marques

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Uma decisão unilateral da Secretaria de Estado de Educação (SED) no polo do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) de Dourados deve prejudicar centenas de alunos da região, caso o anunciado projeto improvisado a ser operacionalizado em 2020 não seja revisto. A avaliação é de um grupo de professores que procurou a redação desta Folha, preocupado com a falta de diálogo com técnicos da SED. "Campo Grande não ouve Dourados", dizem.

A postergação para o segundo semestre deste ano do projeto de Ensino a Distância (EAD) criou o imbróglio. Os professores defendem a continuidade daquele que foi executado até dezembro de 2019 e não um modelo em curso em Campo Grande. "As regiões de Dourados e da Capital têm realidades diferentes", afirmam, argumentando que não faz sentido essa alteração por poucos meses que "prejudicará os alunos, atrasando a conclusão, e causará prejuízo ao Poder Público com a perda de apostilas e outros materiais didáticos".

A diferença de realidade entre Dourados e Campo Grande, considerando número de municípios atendidos, distância do polo etc. é, contudo, reconhecida pela Secretaria de Educação que já abortou outras tentativas de modificação do projeto aprovado ainda no governo de André Puccinelli, em 2015.

No ano passado foi questionado como ficaria o projeto para 2020 e de que forma a comunidade escolar iria participar. Os professores tiveram como resposta que poderiam ficar tranquilos que a SED estava estudando e que eles iriam receber a minuta para dar sugestões e opinar sobre o mesmo.

Entretanto, de acordo com os professores, não foi o que aconteceu. "Para nossa surpresa no dia 19 de novembro de 2019, a direção da escola convocou uma reunião com os professores informando que o projeto a ser operacionalizado ia ser EAD e que não podíamos opinar em nada - já estava pronto".

No dia 17 de dezembro foi publicado o projeto para 2020. Mas, em 30 de dezembro a direção do CEEJA/Dourados postou em grupo de rede social da escola o seguinte comunicado:

"Caros Profs: Comunicamos que na última sexta-feira, dia 27/12/2019, foi publicado no Diário Oficial a autorização do projeto de curso do Ceeja. A SED optou por não iniciar o projeto EaD. Será somente para o segundo semestre ou em 2021, conforme informou o coordenador José Flávio. O Projeto de Curso a ser operacionalizado em 2020 continua o mesmo que operacionalizamos em 2019. Portanto, não devemos fazer nenhuma divulgação quanto a EaD."

Com esse comunicado os professores ficaram tranquilos, pois teriam mais tempo para adaptar as mudanças e na reorganização do material a ser usado com os alunos. No dia 03 de fevereiro foram convocados para a lotação.

Porém, para a surpresa dos docentes, em 17 de fevereiro, início da semana pedagógica, foram informados de que o projeto havia mudado, inclusive a forma de operacionalização com os alunos,

"Não somos contra mudanças, mas achamos uma falta de consideração com os profissionais da escola. Uma vez que, são eles que estão à frente para operacionalizar o projeto. E não tiveram tempo hábil para a readequação do material e a banca de provas que terá que ser toda modificada. Não bastasse isso, não há uma orientação plausível de como vamos orientar esses alunos. Eles são os mais prejudicados", afirmam os professores.

Para eles, "há um grave e profundo desrespeito com todos que operacionalizaram o projeto criado através de muita dedicação, suor e lágrimas, de todos e principalmente dos ex-diretores que faziam de tudo para funcionar". O projeto em curso, segundo os professores, é elogiado por Nei Coinete, coordenador regional de Educação, pelo modo de formar alunos excluídos das escolas regulares.

O projeto do CEEJA de Dourados proporciona várias vantagens ao educando, como atendimento a escolha do aluno; possibilidade de fazer várias matérias conforme disponibilidade do horário; aceleração em tempo de férias ou de desemprego; transitar em todos períodos; frequentar e fazer várias avaliações de disciplinas diferentes no mesmo dia.

Os professores, reafirmam que não são contra as mudanças, mas querem ser ouvidos, participar e "sermos protagonistas no processo educativo. Tem se cobrado isso dos educadores. Porém, na maioria das vezes ou quase sempre são excluídos de todo o processo e tendo que acatar as decisões que vem de cima para baixo".

"O que nós queremos que o CEEJA não seja um projeto, mas uma política pública de educação. Que não fique refém de políticos. Que entre governo e saia governo possamos permanecer com o nosso trabalho e melhorar sempre o que não der certo. O mundo e a história são dinâmicos. Toda mudança é bem-vinda, desde que não seja refém de um grupo ou classe política", finalizaram.

Estiveram na redação da Folha de Dourados os professores Gilmarisa Dezian de Pellegrin, Irene Faccin, Viro José Konzen e Antonio Leopoldo Van Suypene.

 

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