Crônica

Muito Estranho!

26/07/2020 08h50 - Por: Folha de Dourados

 
Elairton GehlenElairton Gehlen

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Por, Elairton Gehlen – escritor

Está tudo estranho mesmo este ano. Eu não estava feliz com o ‘normal’ do ano passado e quando o ano deu de fazer aniversário pedi de presente um ano diferente, e não é que veio! Sei lá, já era meio estranho pedir presente ao aniversariante, mas todo mundo estava pedindo coisas meio impossíveis então também arrisquei e firmei o desejo de ganhar mudanças para minha vida.

Não sei se deveria ter sido mais específico nos meus pedidos, mas me lembro de ter pedido coragem para me relacionar mais facilmente, e me veio esse isolamento social, nem precisava, já passei a vida inteira meio isolado numa redoma de timidez! Acho que foi o barulho dos fogos de artifício que atrapalharam o entendimento, atrapalharam também o sossego dos animais domésticos, dos idosos, dos doentes, das crianças... certamente atrapalharam o entendimento dos pedidos, tinha tanta gente pedindo saúde e dinheiro no bolso!

Já passei do meio do ano, não sei vocês, mas eu estou passando do meio do ano e comemorando cada dia como se fosse ano novo! Fazendo pedidos, lógico! Acordei cedo e fui logo pedindo para esse ano passar rápido, cinco minutos depois deu um peso na consciência e voltei para o mesmo lugar e despedi o pedido, cada dia que passa é menos um para viver e eu quero viver todos os dias que ainda me restam, então melhor viver estes, mesmo do jeito que são.

E não é que o toque de recolher das oito da noite até às cinco da manhã trouxe o tempo de paz que todo mundo pedia, nem que seja de noite! E o tempo para os filhos? Nada como uma quarentena! Que estudante não queria fechar as escolas por um tempo, hem? Ouvi, sem querer, uma amiga dizendo para a outra: ‘Está uma paz, meu marido não fica mais no boteco até tarde!’ ‘Em compensação, não aguento mais o meu dentro de casa’, respondeu a outra fechando a cara. Nem tudo é perfeito.

Quem sabe, nesse tempo de quarentena a gente não tenha um tempo para pensar melhor nos pedidos e, quiçá sejamos capazes de presentear o ano velho como o melhor que temos em cada dia que ele ainda nos dá, talvez ano que vem, se pedirmos melhor, teremos mais trezentas e sessenta e cinco oportunidades para brindar cada dia das nossas vidas!

 

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