Crônica

Matemática

29/07/2020 07h09 - Por: Folha de Dourados

 
Elairton GehlenElairton Gehlen

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Por Elairton Gehlen – escritor

A matemática é uma daquelas ciências que se o ensino fosse livre e os alunos pudessem escolher qual disciplina estudar, apenas uns cinco por cento escolheriam essa matéria. Não que seja difícil, fácil também não é, mas a aplicação na vida é tão grande que seria quase humilhante viver sem estudar os números e suas operações.

Um grupo de garotas discutiam no intervalo do recreio sobre qual salgado comprariam de lanche e se tomariam refrigerante ou suco natural. Eu não posso comer agora, estou acima do peso, qualquer valor a mais que cinquenta e quatro é acima! Neste caso, salgados e refrigerantes só são aceitos na inequação peso< 54. A professora buscava cativar alunos para sua insuficiente turma que até agora contava com apenas quatro alunos.

Professores de Artes, Inglês, e Português se vangloriavam de suas salas cheias. Até História e Geografia, sem nenhuma importância aparente nos tempos atuais tinham pelo menos o dobro de alunos da Matemática. Filosofia e Sociologia tinham sido abolidas e Química ficara restrito ao último ano do ensino médio.

Ausente da sala dos professores por um longo período em que buscava atrair mais alunos para sua disciplina, a professora Zuleide pensou uma estratégia diferente a passou a frequentar a reunião dos colegas nos intervalos para fazer um desafio: O professor, ou professora que conseguir melhor demonstrar a importância de sua disciplina dará aulas no lugar do outro por uma semana!

Desafio aceito imediatamente! Que importância tem a Matemática para o Português? E História? E Geografia? Pois foi exatamente aí que Dona Zuleide provou seu valor. Analisemos, disse a professora escrevendo o alfabeto no quadro, o alfabeto é um conjunto finito formado por 25 letras, se incluirmos o K e o Y. Esse conjunto finito permite uma quantidade infinita de combinações de letras que compõe toda a gramática da língua Portuguesa, Inglesa e muitíssimas outras línguas formando palavras que expressam sentimentos, contam histórias, marcam territórios, explicam as fórmulas dos elementos químicos e até descrevem o pensamento filosófico e sociológico que já não se ensina mais nesta escola.

Por um instante a sala ficou em completo silêncio, ninguém se atreve a contrapor argumento tão consistente. Por mais um instante o silencio dominou o ambiente. Já se dando por vitoriosa, a professora Zuleide virou-se para o quadro onde faria a tabela de suas aulas nas salas dos colegas quando o sino tocou informando o fim do intervalo. A correria foi grande. Com giz na mão, Dona Zuleide olhou para a sala vazia e sorriu aquele sorriso gostoso de quem sabe que venceu, mesmo não levando o troféu da vitória!

 

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