Crônica

Domingo no Parque

28/07/2020 14h58 - Por: Folha de Dourados

 
Elairton GehlenElairton Gehlen

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Por Elairton Gehlen - escritor

Não fosse a quarentena e se poderia aproveitar a liberdade que os parques e praças proporcionam. Esta cidade, como de resto as demais, tem muitos parques e praças onde se pode ver a juventude domingueira sorridente exibindo seus corpos atraentes como moeda de grande valor na troca por mercadorias do mesmo quilate que andam tal e qual. É o vigor da idade pela qual todos passamos, desperdiçando grande parte da riqueza natural consumindo produtos de qualidade duvidosa em troca de um prazer ilusório e de altíssimo risco.

Parques e praças são lugares convidativos ao exercício da vida saudável. Os parquinhos infantis se enchem de mercadorias que ainda mal saídas do processo de acumulação primitiva de capital, logo, logo ditarão as leis de mercado para o grande público ávido pelo consumismo desenfreado de sexualidade. Mal se dão conta os pais de seus erros, mas apostam todas as fichas que educarão seus filhos para a vida saudável que a natureza oferece pela extensão das áreas verdes e nascentes de água puríssima.

À sobra das frondosas árvores as famílias buscam o entendimento que não conseguem dentro das casas. Ali, aos aplausos da vizinhança e curiosidade dos demais, a tolerância e a cordialidade dão o tom dos relacionamentos até que o sol anuncia a hora dos preparativos para os cultos religiosos de domingo.

Sem quase serem notados, às vezes nem querendo ser e muitas vezes ignorados propositalmente, os mais idosos fazem seus passeios pelos parques a passos lentos observando os frutos da inovação tecnológica num misto de saudade e nostalgia, com pitadas de tristeza e decepção, aquele sentimento de que teria feito melhor se fosse jovem com o conhecimento que agora possui.

  • Vamos, disse a senhora já idosa puxando o marido pelo braço, me ajuda a levantar que está na hora de irmos para casa.

Em casa, tomado o banho e terminado o jantar, o marido pega na mão da esposa e diz que precisa lhe confessar uma coisa.

  • Vai me dizer que ficou olhando para aquelas novinhas desfilando no parque. Nem precisa, eu vi você olhando para elas, mas eu não ligo, elas não querem pessoas da nossa idade.

  • Fiquei olhando, mas não é isso. É que na minha juventude eu fiz tudo que hoje eu acho que não devia ter feito, e você é essa mulher tão pura. Eu me sinto culpado.

  • Pois não se sinta, disse a bondosa companheira de cinquenta anos, nós todos já fomos jovens!

 

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