Pandemia

Prostituição: Quais são as práticas que mais se usam durante o toque de recolher

Já não há dúvidas quanto às mudanças e modificações em diversos rubros de trabalho por causa do Covid-19

18/06/2020 15h00 - Por: Folha de Dourados

 

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Uma conversa muito interessante e esclarecedora com algumas mulheres que exercem a profissão mais antiga do mundo, sobre a forma como conseguem passar os seus dias em relação à quarentena, tendo que trabalhar durante a pandemia.

Já não há dúvidas quanto às mudanças e modificações em diversos rubros de trabalho por causa do Covid-19. A prostituição é um dos rubros que sentiram essas mudanças obrigatórias.

Com o intuito de poder entender a situação atual daqueles que trabalham na prostituição e sem nenhuma intenção de querer julgar a ninguém, procuramos algumas declarações importantes, testemunhos de como conseguem realizar os seus trabalhos ou serviços durante a situação pandêmica atual.

Poder conversar com essas pessoas não foi uma tarefa simples no inicio, pois evidentemente muitas relutavam em dar informação ou simplesmente tocar no assunto referente aos seus trabalhos. Mas com a segurança de saber que não seriam fotografadas nem teriam os seus nomes publicados em um portal, conseguiram relaxar e dar os seus depoimentos com tranqüilidade.

"X" é uma mulher que se dedica a essa profissão há mais ou menos dois anos, quando decidiu sair de casa para ir morar em outra cidade e tentar melhorar na vida economicamente, para poder fazer realidade o seu sonho: conhecer o mundo. No inicio da nossa conversa ela se mostrou surpresa, confidenciando que estranhou quando o seu telefone "de serviço" tocou para solicitar uma entrevista, uma situação que nada tinha a ver com o lado profissional!

"Devo confessar que quando foi declarada a pandemia, esse inicio foi simplesmente horrível, porque muitos clientes que vinham semanalmente, já não o faziam por motivos óbvios. Assim, com os motéis fechados por causa da quarentena, a criatividade teve que surgir para poder sobreviver economicamente. A minha criatividade, confesso, resultou muito positiva: algumas vezes fiz o papel de secretária no próprio trabalho do cliente! Mas não foi fácil, houve dias sem nenhuma atividade e, ai sim, tive que abrir o meu cofrinho o usar as minhas poucas poupanças para poder sobreviver. Ainda hoje tenho que tomar cuidado com o dinheiro que tenho, porque não são tantos os clientes que conseguem fugir de casa com o toque de recolher".

"O" trabalha como profissional do sexo há aproximadamente dez anos e afirma que, para trabalhar na prostituição é necessário ter realmente vocação, única forma de poder sobreviver nesse ambiente:

"Nestes dias, nestas semanas, só tenho conseguido sobreviver usando o que consegui poupar nos bons tempos e também devido aos meus clientes mais fieis, que qualquer profissional da prostituição deve sempre ter. Por exemplo: um dos meus clientes mais fieis é um médico ginecologista. Ele é maravilhoso, porque me cuida, faz todos os meus controles e, assim, me mantenho super saudável!"

"Y" conta que começou a usar o dinheiro da sua poupança para poder comer e pagar as contas, até que decidiu acionar a sua criatividade e foi à procura daquilo que a tecnologia colocou a disposição: o aplicativo Zoom. Com ele, consegue fazer diversos encontros virtuais.

"A gente deve se adaptar aos tempos modernos e às diversas situações inesperadas que a vida nos apresenta, não é verdade?"

Sim, isso é absolutamente certo. No geral, tanto as pessoas que oferecem os seus serviços na prostituição quanto as pessoas que procuram esses serviços, conseguem driblar o toque de recolher usando a criatividade: interpretando personagens como a secretária no trabalho do cliente, combinando encontros virtuais para ter sexo de um modo diferente e aproveitando o toque de recolher para usar a imaginação –e a tecnologia– para encontrar a profissional –e o cliente– ideal.