Covid-19: dentista e cantor de boleros

George Patiño, um boliviano-brasileiro-americano que viveu entre a ciência e as artes

Morto pela Covid-19 nos EUA, o dentista e cantor de boleros ele foi um embaixador informal e difusor da música latina no Rio dos 80 e 90

14/06/2020 05h29 - Por: Folha de Dourados

 
 
George Patiño - Fotos: acervo familiarGeorge Patiño - Fotos: acervo familiar

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Em 1996, o dentista boliviano, nascido em 1941 na cidade de Potosi - mas naturalizado brasileiro - George Patiño partiu, aos 55 anos, rumo aos Estados Unidos para, como dizem, fazer a América. Na bagagem levou o diploma de odontologia conquistado na USP de Ribeirão Preto e o de Mestre em Saúde Pública pela Graduate School of Public Health da Universidade de Pittsburg, que data de sua primeira residência nos EUA nos anos 60, além de suas partituras de boleros, gênero musical pelo qual era apaixonado, além de exímio conhecedor.

Durante os anos 80 e meados dos 90, conciliou sua atividade como dentista e professor-assistente da Escola de Saúde Pública da Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz - com a de cantor de boleros e músicas folclóricas latinas por meio de apresentações de seu grupo " Los Latinoamérica-Nós" , composto por ele e outros amigos estrangeiros e brasileiros, amantes da música latina cantada em espanhol. Foi grande difusor do gênero bolero no Rio e muito atuante junto à comunidade latina na cidade. Foi também grande amigo de artistas brasileiros, como o cantor romântico Tito Madi, precursor da Bossa-Nova, falecido em 2018. A amizade foi herdada por seu filho, o jornalista George Patiño, que ficou amigo de Tito e de quem escreveu um perfil biográfico no ano de 2000 pela Livraria Toca do Vinícius, em Ipanema.

Grande amigo de Patiño, o correspondente de imprensa estrangeira e primeiro oboísta da Orquestra Rio Camerata e ex-integrante das Orquestras do Theatro Municipal do Rio e da Sinfônica Brasileira, Harold Emert, sentiu muito a partida do parceiro: "Me lembro de seu entusiasmo e versatilidade com o mundo do show business. Em sua casa, no Flamengo, a porta estava sempre aberta para receber estrangeiros fossem artistas ou não, de passagem pela cidade por estudo ou trabalho", relembra Harold. Um desses amigos foi o violonista peruano Sérgio Valdeos, hoje músico consagrado no Brasil, por sua atuação no quarteto Maogani e também em carreira solo.

Patiño também era membro da American Society no Rio, http://www.americansocietyrio.org/amsoc/default.asp e atuou como ator em diversos musicais da Broadway, como "My Fair Lady", "Guys and Dolls" e "The King and I" na British School, em Botafogo, encenados pela comunidade britânica no Rio. Foi ainda membro do Rotary Club – Laranjeiras, além de editor da Revista Brasileira de Odontologia e fotógrafo amador. Fluente nos idiomas português, inglês e espanhol, nos Estados Unidos atuou como tradutor, intérprete e professor de idiomas. Em 2009, com Oraldo Viegas, lançou o guia "Vivendo e dirigindo na América". No ano de 2012 jurou a bandeira americana, se tornando cidadão daquele país. Faleceu, aos 78 anos, na cidade de Framingham, Massachussets, no dia 7 de junho, domingo, vítima da Covid-19. Deixa três filhos: George, Rafael e Giuliana Patiño, três netos: Clara, Fernando e Francisco, além de mais um, de sua filha caçula, que vai nascer em novembro deste ano.

 

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