VICTOR TEIXEIRA

Ensinar e aprender também continua perigoso

09/04/2019 08h20 - Por: Folha de Dourados

 
Victor TeixeiraVictor Teixeira

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Por Victor Teixeira, colaborador

Nos foi reservada uma das épocas mais cruciais para rearranjarmos o proveito do papel político, econômico e cultural que cada um de nós tem na sociedade, uma vez que consequências de falhas nossas tornam a brotar, e com menos espaçamento cronológico. A Escola Estadual Professor Raul Brasil, de Suzano, na Grande São Paulo, é o novo local de seu gênero onde se grafou com sangue uma advertência contra a pouco notada complexidade dos desafios à formação moral infanto-juvenil.

Inicialmente associados a bombinhas de festa junina fora de época pelos vizinhos residenciais e comerciais da escola com base na ínfima vulnerabilidade dela à violência atestada corriqueiramente pelos ditos cujos, os estampidos vindos do prédio público no meio da manhã do recente dia 13 indicavam que a comunidade educativa estava sob ataque. Confirmaram isso primeiramente a pronta evacuação do local por estudantes ilesos ou levemente feridos, indiscutível sinal verde para equipes médicas e policiais dirigirem-se ao edifício para deter a ação dos atiradores, prestar auxílio aos fisicamente lesionados e disponibilizar os corpos aos profissionais responsáveis pelo esclarecimento da dinâmica dos óbitos e a liberação aos familiares.

Ambos os atacantes já integraram o corpo discente ao qual infligiram cinco baixas. O contingente de funcionários, por cujas mãos passaram o adolescente de 17 anos Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, também perdeu duas integrantes. Não obstante, a morte violenta do dono de uma concessionária de automóveis das proximidades ligava-se ao múltiplo homicídio por resultar da anterior visita dos rapazes, um dos quais era sobrinho desta vítima, ao local.

Tão logo a carnificina se cumprira, leigos e entendidos na conexão entre os pensamentos, estados emocionais e atos humanos saíram em busca do por quê. Mas os meios para uma mais ampla segurança em instituições educacionais contra violências em proporções estranhas ao cotidiano do Brasil perdem-se de vista com a pressa de grupos de interesse em expor respostas por meio da análise de certos detalhes do enredo de utilidade restrita a suas intenções perante o povo.

É o que se aplica exatamente às divergências sobre a acessibilidade de armas de fogo à população. A abrangència dos funcionários de escolas, inclusive professores, apoiada pelo senador Major Olimpio para futuras medidas que visem condições de porte tão flexíveis quanto, desde o início do ano, as circunstâncias para mísera posse dos utensílios sem dúvida possibilita um recuo da confiabilidade nas relações entre os estudantes, seus tutores e o corpo laboral dos estabelecimentos de ensino. Insuficiente amparo, porém, o recente atentado confere aos partidários da exclusividade do Estado, numa indiferença a suas limitações, como guardião da vida e patrimônio de seus dependentes.

Somente o revólver calibre 38 com número de registro raspado (indicativo de procedência alheia a tudo que se chama lei) sob posse de Guilherme representava as armas de fogo no arsenal da dupla. Empecilhos uma alternativa ausência deste item junto a um arco e flecha, uma besta (arma de origem medieval lançadora do mesmo tipo de projétil), duas machadinhas e vários coquetéis Molotov instituiria apenas no instante em que o menor matou generosamente o comparsa e tirou a própria vida frente à intervenção de policiais naquela ofensiva desproporcional.

Por suas intenções de causar a todos que estavam no colégio o montante de assolações físicas e psicológicas viável com os ataques a bala, machadadas nos corpos e em quem ousava escapar e preparativos para incendiar as dependências com portas fechadas e emperradas por armários e mesas onde professores e demais serviçais escondiam outros estudantes, os ex-alunos foram impulsionados em uma guerra injusta ao bullying. Os antecedentes escolares de Guilherme, compostos de injúrias psicológicas que colegas proferiam contra ele por ter espinhas e uma mãe dependente química incapaz de cria-lo, são a mais notável amostra do clima de receptividade social que levou os dois assassinos suicidas a se levantarem armados e ainda seguindo protocolos de jogos virtuais de guerra com uma fidelidade muito aquém da forma como a maioria dos jogadores peitam os infortúnios do dia-a-dia.

Pela jornada de reabilitação emocional dos aprendizes e trabalhadores sobreviventes para o definitivo retorno das aulas a escola Raul Brasil é irremediavelmente introduzida aos compromissos adicionais ao que talvez tenha feito pela segurança do ambiente defronte conflitos dos alunos entre si e com as autoridades colegiais e o interesse de pessoas externas à comunidade por interagir com ela ou demandas da própria instituição por isso. Sobre outros educandários pelo Brasil pesa uma realidade que fixa uma aprimorada dedicação dos discentes, de suas famílias, dos docentes e dos governantes a essas temáticas como um último passo para que seja aprendida a lição antes de eventuais novos tiroteios.

Na onda de consternação e temor causada pelo massacre em Suzano pegaram carona dois jovens baianos que teriam cumprido planos expostos em redes sociais para novos ataques, não fosse a atenção policial dada ao tráfego de ideias na web, uma necessária lacuna na privacidade oferecida por esse meio supostamente para se fazer o que quiser. Em Campo Grande, ocorrências envolvendo ameaça de bomba e tentativa de incêndio sem declaração oficial dos autores da vontade de seguir o sangrento paradigma e ameaças de se fazê-lo contidas num bilhete e nos nomes de redes Wifi, descobertos em pontos de oferta de conhecimento essencial, também vêm à tona em mais essa época de acrescida inquietude ante a violência escolar.

No que depende da permeabilidade humana dos institutos de ensino, massacres estão sendo inviabilizados em Pernambuco de acordo com o quão o governo estadual esteja zelando pelo vigor de uma lei de 2011 que obriga escolas públicas e privadas a criar um cadastro dos terceiros que venham a visitar suas instalações e lhes impor o uso de um crachá quando as percorrerem. Para governos municipais e estaduais remanescentes interessados em a partir de agora aplacar vulnerabilidades visíveis e, assim, comumente apontadas da segurança em ambientes sociais dessa classe, eis aí um aspecto para se investir com a certeza de frutuoso retorno proporcional ao nível de dedicação.

Já em meio a procedimentos usuais regional e nacionalmente com relaçâo ao envolvimento das armas de fogo e de menores em crimes nada se encontra de grandes exemplos aprovados pela prática no Brasil. Com a estagnação do processo de ampliação do uso de tecnologias para a vigilância de fronteiras e a duração temporária de trabalhos conjuntos entre as Forças Armadas e polícias, os produtos lícitos regulamentados e tributados (entre os quais as armas) e bens de consumo terminantemente ilegais (drogas) provenientes dos países vizinhos seguem escapando de averiguações do interesse na entrega de parte dos lucros aos cofres públicos e da obediência às condições para sua venda aqui. Um dos quocientes que compôem a licitude de cada tipo de mercadoria é a segurança de seu uso por menores de 18 anos sujeitos a somente três anos de internação quando erram. independentemente da seriedade de seus desvios penais; o garoto que auxiliou os atiradores no planejamento do atentado será mais um exemplo.

Em entrevista ao Diário de Mogi> uma ex-secretária municipal de educação de Mogi das Cruzes, cidade próxima a Suzano, apontou a responsabilidade de fenômenos pouco solúveis pelos poderes burocráticos na crescente insegurança educacional. Da família, sob a influéncia das instituições religiosas e dos meios de comunicação de massa, é o pioneirismo na disseminação dos princípios que devem nortear nossas atividades. A suplantação pela crescente parte alienante e inconsequente do entretenimento gerado pelos últimos formadores de opinião antes citados dos valores referentes a nossas responsabilidades individuais e coletivas fomentados há séculos pelos primeiro grupo está em crônica posição favorável a contestações por pais ou tutores equivalentes diante de nossos jovens de modo a atraí-los para os jeitos de se constituir famílias e ajustar-se para a vida profissional superiores a qualquer convenção social de momento.

Por sua magnitude o ocorrido em uma escola suzanense revigorou o debate acerca do notório problema que ele reflete. Mas o alcance de uma minimização da incidéncia de todas essas desordens se mostrará efetivo com a mitigação de todos os determinantes de risco, que vão além dos meios pelos quais gente hostil à instrução deixa seus legados com variantes intensidades, mas sempre ruins.

 

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