Pandemia

Brasileiros serão barrados na Europa por altas taxas de infecção por Covid-19, mostram listas obtidas pelo NYT

Bloco vai abrir fronteiras externas em 1º de julho; russos e americanos também não poderão entrar

23/06/2020 15h04 - Por: Folha de Dourados

 
Um casal passeia na beira do Rio Sena, em Paris; países europeus começarão a abrir suas fronteiras externas em julho Foto: STEPHANE DE SAKUTIN / AFPUm casal passeia na beira do Rio Sena, em Paris; países europeus começarão a abrir suas fronteiras externas em julho Foto: STEPHANE DE SAKUTIN / AFP

Clique aqui e curta nossa página no Facebook

Os brasileiros, assim como os americanos e os russos, serão impedidos de entrar nos países da União Europeia quando eles reabrirem suas fronteiras externas que foram fechadas por causa da pandemia da Covid-19. A reabertura está prevista para acontecer a partir de 1° de julho. Brasil, EUA e Rússia estão nos rascunhos das listas de países cujos cidadãos continuarão barrados do território do bloco, obtidos pelo New York Times.

O jornal americano teve acesso a uma série de listas elaboradas pelos Estados-membros da União Europeia, baseadas na maneira como nações mundo afora estão lidando com a pandemia. O Brasil, com mais de 50 mil mortos e um milhão de casos, aparece em todas as listagens de nações cujos cidadãos continuarão barrados, assim como os EUA, com 120 mil mortos e mais de 2,3 milhões de contaminados, e a Rússia, com meio milhão de infecções.

Não há uma confirmação oficial por parte dos governos — os documentos foram obtidos de forma anônima, por causa da sensibilidade do tema e por conta dos detalhes das negociações para a elaboração das listas finais de todo o bloco, que devem ser divulgadas no inicio da próxima semana. Tal decisão poderá ter um impacto político e econômico considerável, uma vez que americanos e russos, em especial, estão entre os principais visitantes da União Europeia.

As fronteiras da União Europeia estão fechadas a praticamente todos os estrangeiros desde meados de março, assim como as fronteiras internas, entre os 27 países do bloco. Estas últimas começaram a ser reabertas em 14 de junho, à medida que nações como Itália, França e Espanha, que já foram o epicentro da pandemia, começaram a controlar o número de novas contaminações e mortes.

As listas elaboradas pelos países da UE se baseiam em critérios epidemiológicos. O padrão é o número médio nos 14 dias anteriores de novas contaminações na Europa para cada 100 mil habitantes. No bloco, este número atualmente está em 16, enquanto no Brasil está em 190, nos EUA em 107 e na Rússia em 80, de acordo com cálculos do jornal americano.

Há atualmente, segundo o New York Times, duas listas de países seguros em discussão. Uma inclui apenas 47 nações com taxas de novas infecções menores do que a média da UE. A segunda tem 54 países, incluindo alguns em que a situação é ligeiramente pior do que na UE, chegando à média de 20 novos casos por cada 100 mil habitantes. As duas incluem China, Uganda, Cuba e Vietnã.

Quando houver acordo sobre as listas finais — de países cujos cidadãos estarão liberados para viajar para a Europa e daqueles cujos cidadãos serão vetados —, elas serão divulgadas pela Comissão Europeia como uma recomendação para as nações do bloco. A ideia é que as listas sejam atualizadas a cada duas semanas.

Os países não são obrigados a seguir a lista, mas tendem a fazê-lo porque, como as fronteiras internas da Europa são abertas, um viajante pode passar livremente de um país para o outro, o que implica uma responsabilidade coletiva.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o americano Donald Trump, cujos países hoje têm mais casos e mortes provocadas pela Covid-19, tiveram posições semelhantes em relação à pandemia. Minimizaram seu impacto, duvidaram de informações de cientistas e depois passaram a fazer pressão pela retomada das atividades econômicas. Trump ainda permitiu, em meados de março, que a força-tarefa da Casa Branca para a Covid-19 divulgasse recomendações de isolamento social. Bolsonaro, no entanto, teve dois ministros da Saúde que se demitiram porque ele discordava das orientações defendidas por eles para conter a pandemia. (O Globo e New York Times)

 

Envie seu Comentário