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‘Nossas mulheres e a Olimpíada’, por Waldir Guerra

'Nossas mulheres e a Olimpíada', por Waldir Guerra

Opinião – 25/08/2008

Waldir Guerra * 
         A maior e mais bela Olimpíada realizada em todos os tempos foi esta realizada na China e nós brasileiros fomos salvos de um vexame pelas meninas brasileiras que lá foram para nos representar. 
         O desempenho de Maurren Maggi conquistando Ouro no salto em distância, mostrando a todos nós o seu esforço em superar uma punição sofrida anos atrás. Punição que nunca a esmoreceu, pelo contrário, fez dela a motivação para se esforçar mais ainda e o resultado está aí hoje: uma medalha de ouro pendurada em seu peito para que o mundo inteiro saiba que ela, Maurren Maggi, é a melhor do mundo. Uma honra para ela e um orgulho para nós brasileiros. 
         Das três medalhas de ouro, a mais emocionante delas foi a conquistada pelas meninas brasileiras do Vôlei. Elas foram fantásticas! Dos esportes coletivos elas foram a melhor equipe brasileira; a mais bem organizada, a mais determinada, a mais obediente e, claro, a mais feliz ao receber a merecida medalha de ouro.  
         Foram quatro nossas medalhas de prata conquistadas nesta Olimpíada e uma delas foi conquistada pela equipe feminina de futebol. Nossas meninas deram um show de bola; mostraram a garra que nós esperávamos dos meninos do futebol masculino e que infelizmente, mais uma vez, o Ronaldinho Gaúcho e seus jovens companheiros não fizeram.  
         A medalha de prata do futebol feminino foi conquistada e comemorada pelas meninas – inclusive por nós todos brasileiros – com certa decepção, pois queríamos a de ouro, e elas fizeram por merecer, ao contrário do futebol masculino que queríamos ouro, eles nos deram um bronze que na minha irritada opinião não fizeram por merecer – perdoem-me, mas estou decepcionado com eles. 
         As medalhas de bronze foram oito e três delas conquistadas por mulheres brasileiras, aliás, quatro mulheres porque na Vela 470F as vencedoras foram Fernanda Oliveira e Isabel Swan. No Judô até 57 kg a jovem Ketleyn Quadros trouxe o bronze após derrotar numa seqüência todas as suas adversárias. E Natália Falavigna conquistou outra medalha de bronze para nosso país no Taekwondo acima de 67 kg.  
         Quinze medalhas conquistadas pelo Brasil nesta Olimpíada sendo que seis delas por mulheres o que nos dá uma média de 40%. Deixo para meu leitor encontrar a resposta da porcentagem da participação feminina nesta Olimpíada. E se você se dispuser a pesquisar essa porcentagem, por favor, pesquise também o número da delegação brasileira nesta Olimpíada para compararmos com o número de medalhas conquistadas. Vai ser interessante divulgar isso. Se você fizer a pesquisa, prometo descobrir o número da delegação jamaicana que conquistou seis medalhas de ouro, o dobro do que conquistou o Brasil. 
         De uma coisa tenho certeza, esse pífio resultado desta Olimpíada vai ser bom para mexer com os brios dos brasileiros e passar a exigir mais interesse dos governos, não só do federal, mas dos governos estaduais e municipais para que incentivem mais a prática de esportes, principalmente agora que o Brasil tem interesse em promover uma Olimpíada aqui no país.  
         Investir no preparo de atletas visando uma Olimpíada é uma das melhores maneiras de divulgar um país e nós brasileiros estamos investindo muito pouco se considerarmos nosso tamanho. Vamos lá minha gente, é hora de acordar para esse filão do nosso desenvolvimento – estou me referindo ao turismo, claro.  
         Até Londres daqui a quatro anos. 
          * Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
             [email protected]/

Fonte: Folha de Dourados

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