Senhor Fernando, um nordestino feirante em Dourados - Foto: Ilson Boca Venâncio

Ilson Boca Venâncio –

Meu personagem da história de hoje mantém a aparência de um autêntico feirante nordestino, com chapéu de couro na cabeça e um inconfundível sotaque de quem nascera no campo.

E ele nasceu mesmo, em uma fazenda lá em Nova Distrito de Brejo no estado de Pernambuco. De lá ele veio ainda bem pequeno com toda a sua família para São Paulo como era comum ali naquela época.

Se instalaram na zona rural de Marapá, ao lado do Rio do Peixe, onde a família trabalhava na lavoura plantando alimentos como arroz feijão, mandioca e tudo o que era necessário para atender as necessidades básicas. Criavam vaca, porco, galinha e mantinham uma horta com todo tipo de legumes e temperos.

Depois de morar em Presidente Epitácio, vieram morar em Fátima do Sul quando ele tinha apenas dez anos. De Fátima do Sul foram morar em Nova Esperança Distrito de Jateí.

De lá, em mil novecentos e oitenta e cinco, vieram para Dourados se instalando na região do Jóquei Clube, e ali aproveitando a boa terra e de posse do seu tratorzinho seguiam tocando lavoura produzindo alimentos e vendendo na feira livre.

Casado com dona Antonia Rodrigues de Andrade com quem teve três filhos e o primeiro deles, Reginaldo, é seu companheiro de feira desde pequeno. Hoje, adulto ele tem uma banca ao lado do pai. As duas meninas sempre ficaram com a mãe na chácara onde moram.

“A gente realiza um comércio na feira livre com tudo que produzimos. Temos nossa criação de galinhas, cabritos, carneiros, e outros bichinhos, e assim quando a gente sai para ir a feira alguém tem que ficar cuidado das coisas por lá”, diz ele.

Na banca do seu Fernando, combinando com a de Reginaldo ao lado, pode não ter tudo, mais tem quase tudo, em variedades de feijão, farinhas, farinha tapioca, amendoim, gergelim, urucum, milho,  quirera, café moído na hora, café cru, torrado,  rapadura, doces e muito mais variedades.

A diversidade dos produtos vendidos na banca da feira do seu Fernando é tradição nordestina que ele espera nunca perder.

Essa característica de banca de feira atrai sempre os conterrâneos nordestinos. Meu cunhado Luis Antônio quando vem da Bahia passear aqui e vai a feira sempre faz questão de passar na banca do Sr. Fernando para ver as novidades em feijão, farinhas, pimentas, e outras especiarias de gosto nordestino.  

Eu que também gosto de um bom feijão com farinha bem temperado e aprecio uma boa comida nordestina, além de bater um bom papo com quem entende dessas coisas boas do nordeste brasileiro, só tenho que agradecer a esse senhor de chapéu de couro, por me dar atenção para essa conversa que resultou em mais uma história da nossa feira livre.

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