Fotos: Ilson Boca Venâncio

O bailarino e a Feira Livre da Rua Cuiabá

Ilson Boca Venâncio –

O meu personagem de hoje é muito original. Foi menino criado à moda antiga e aqui na nossa cidade. O hábito da dança de salão fazia parte do nosso convívio e isso se revelou na sua essência de bailarino. Exímio!

Entre nós em tempos anteriores a tanta tecnologia, as pessoas gastavam o seu tempo de lazer com a cultura tradicional, e a dança de salão era muito comum. Bastava qualquer motivo de alegria para terminar em festa com dança!

Os ritmos mais populares aqui era o bolero, guarânia, polca, chamamé, samba canção e valsa.

Ele me contou que se distraia olhando os movimentos dos corpos em movimento, devido o seu pouco tamanho, seus olhos se prendiam mais nas pernas e pés e as músicas tradicionais daqui são muito alegres e dançantes fazendo ele acompanhar as evoluções dos pares em movimento.

Disse-me que ficava observando os casais adultos, entre ele seus pais, e quando ia dormir ficava aquelas imagens dos movimentos dos corpos bailando em seus pensamentos e a imagem de pernas, cores e sorrisos, iluminava seus sonhos.

“Quando a gente é pequeno tudo parece grande, os adultos para nós são como gigantes, e não se vê a hora de crescer para poder ser igual no tamanho para poder dançar como gente grande. ”

“Eu queria dançar como gente grande mais me sentia muito frágil, então comecei a praticar esporte para ficar mais forte; participava de eventos de esporte na escola depois para a ginástica olímpica, até conhecer uma bailarina que chegou em Dourados com uma proposta diferente em termos de dança que muito me atraiu, e aí eu fui…” 

Rilvan diz que encontrou “na dança contemporânea uma saída para meus anseios, entrei para a academia, lá encontrei um caminho, participando das coreografias da academia”.

Mas muito empolgado com os trabalhos, logo estava montando as próprias coreografias incluindo outras pessoas nos seus trabalhos. Começou a dar aulas de dança, formando grupos, sempre repassando tudo o que aprendia para outras pessoas. A minha filha Celeste aprendeu a dançar a valsa de formatura com ele!

E ensinando dança passou também a orientar as pessoas a caminhar no palco e passarelas, formando turmas de manequins.

Depois se juntando ao bailarino Chico Lemos, montaram um espetáculo de dança contemporânea partindo para participar em festivais nacionais, fazendo bastante sucesso em suas participações.

Mas como tudo na vida tem suas razões e com outros pontos a desenvolver, ele sempre esteve atento as questões de políticas culturais. Rilvan sempre foi participativo nas lutas dos artistas, das quais com ele sempre participei desde o primeiro fórum de cultura e dos demais, criamos e compusemos no Conselho Municipal de Cultura, por mais de uma vez.

Quando da criação do regimento e da lei de incentivo à produção artística cultural, nesta caminhada da construção cultural, Rilvan chegou ao cargo de Secretário Municipal de Cultura e atualmente é diretor de Cultura do Clube Indaiá, entre muitas outras atividades.

Por gostar muito de fantasia, sempre criando seus personagens para desfiles, festas e carnavais.

Mas foi trabalhando com o pessoal da melhor idade que reencontra com sua infância das danças de salão do tempo de seus pais, montando coreografia que o transportava para aquela época.

Apesar de tanto trabalho e correria, Rilvan sempre reservou um tempo na sua agenda para apresentações na Nossa Feira Livre da Rua Cuiabá.

Na verdade, um dos artistas pioneiros a dançar na Feira Livre, e quando isso acontece é show na certa. Na última apresentação, minha filha Celeste o acompanhou para fazer um ensaio fotográfico.

Nessa apresentação ele recebeu o carinho merecido. Foram tantos os aplausos. As pessoas circulantes na feira paravam para admirar e a atender ao convite de bailar ao ar livre. Um palco ao ar livre na feira livre! Bailou com tanta leveza e fez um bem aos transeuntes e a mim em especial por participar daquele momento em família.

Rilvan é querido por toda a nossa família. A minha outra filha, Flora, teve a sua colaboração na decoração do seu casamento com a leveza dos detalhes através da imaginação criativa desse artista.

Ao amigo Rilvan Daniel, a quem muito estimo, vai aqui os meus agradecimentos por permitir essa interferência que resultou em mais uma história da nossa Feira Livre da Rua Cuiabá.   

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