Foto: acervo de Emmanuel Marinho

Ilson Boca Venancio –

O Poeta e a Nossa feira Livre

Entre os artistas mambembes o poeta é um dos mais populares, pois a poesia anda na rua, nas praças, vai ao teatro, entra nos bares e também vai à feira.

O meu personagem de hoje é o poeta Emmanuel Marinho, Mané para os amigos, e olha que tem muitos amigos, pela sua simpatia e educada forma de tratamento com as pessoas.

Tem também grande importância cultural para a nossa cidade pela sua dedicação, criatividade e talento.

Ele é poeta, educador, ator, ativista, defensor de causas humanistas e pela sua sensibilidade e arte, se tornou uma importante referência artística da nossa cidade e estado sempre levando na mochila a nossa identidade cultural.

Douradense como eu, a quem conheço desde pequeno, quando eu cantava nos festivais de calouros no Clube Social, encontrava-o sempre ali. Lembro também dele quando estudou com minha irmã Ione, no Colégio Castro Alves e juntos já faziam o teatro na escola, demonstrando o seu interesse pela arte.

Com o decorrer do tempo sua poesia foi se tornando conhecida entre nós, e logo toda a cidade passou a conhecer e admirar o seu trabalho, logo esse conhecimento se espalhou para outras cidades, estados e países.

Eu que sempre caminhei o caminho das Artes, quase sempre tive a presença do Emmanuel pelos lugares onde passei.

Quando fui viver em São Paulo, não foi diferente, na Feira da Vila Madalena, nos shows, teatro, laboratórios, as vezes no refeitório, sempre via o Mané falando suas poesias. Uma dessa passagem foi no “Persona bar” onde em uma noite, lá estava o Emmanuel fazendo lançamento de seus livros de poesia.

Muito criativo em suas apresentações interpretando os seus poemas, sempre arrancava aplausos de admiração do público presente.

O Persona Bar ficava localizado na rua 13 de maio, entre o Café do Bixiga, e Igrejinha, “Café Society” ponto alto da movimentação noturna, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. Esse espaço foi criado pelo artista plástico italiano Roberto Campadello e sua mulher Carmem Flores,

Roberto ficou famoso pela participação na Bienal Internacional de São Paulo, com seu projeto Jogo das Mutações “Jogo de Espelho”, o jogo mais maluco do mundo. Nesse jogo de dois espelhos as pessoas, uma de cada lado, com o auxilio da luz de vela faziam seus corpos entrelaçarem, era um jogo muito divertido. Esse projeto se espalhou pelo Brasil e mundo e esses artistas davam lugares para outros artistas mostrarem o seu trabalho. Ali encontrei o Emmanuel.

Emmanuel com muita dedicação a poesia, alcançou um bom conhecimento por vários estados do Brasil além de outros países. Sem nunca perder a magia da palavra, levando a nossa cultura por onde ele passa.

A princípio poetava seus versos com grande domínio de interpretação, devido o seu talento, e experiências adquiridas com teatro, aos pouco seus versos foram ganhando sonoridade musical, e dramaturgia.

Então, adotou para si, uma sanfona de brinquedo que dá a sonoridade ao seu canto.

Atuando como Arte educador e psicólogo de formação, participa em projetos de educação nas escolas e universidades, levando sua arte e empenhando bandeira em defesa dos povos indígenas, liberdade de expressão e gêneros.

Assim consciente da importância do artista junto ao povo, leva seu trabalho as praças e feira livre.

Participa de circuitos literários de poesias nas bibliotecas pelo Brasil afora e nunca deixa faltar um tempo para ir a nossa Feira Livre, às vezes para as compras, outras vezes par levar a sua poesia a este espaço de convívio popular.

Quando isso acontece há muita alegria com a sua poesia, música e cantoria, que encanta a todos, de todas as idades, pois o povo sempre se identifica com seus artistas.

Como artista e também como militante da cultura, está sempre atento participando nos fóruns de debate em favor da construção dos espaços das artes.

A sua dedicação a arte fez com que se tornasse um artista representativo da nossa cidade, estado e País, pois o seu trabalho ultrapassa fronteira de diversos países sempre levando a nossa Cultura.

Nos momentos de construção coletiva, em nossa cidade e estado, pela nossa trajetória de vida estivemos juntos em muitos deles.

Como um artista popular que fala a língua do povo, Emmanuel, sempre guardou na sua agenda o tempo da feira, adepto da boa alimentação gosta de comprar os produtos na feira.

Para circular por aí com seu último trabalho “Encantares”, Mané adotou uma bicicleta, com um bagageiro onde carrega os seus adereços.

Artista na feira é pura alegria. Sempre que eles chegam brota felicidade. O povo se identifica com seus artistas. Eles representam o lado feliz e crítico do povo – com eles o povo chora e ri. Ou chora de rir.

Ao poeta Emmanuel Marinho, eu fico grato pelos momentos de prazer que proporciona sua arte nas pessoas e pelos momentos de construção que juntos compartilhamos em prol de um objetivo comum: a nossa arte e nossa cultura.

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