Por Ilson Boca Venâncio –

Meus personagens da história oral de hoje é o casal Lindomar e Elaine, feirantes da nossa feira livre da Rua Cuiabá. Lindomar eu já conhecia há tempos, desde a criação da extinta Fundação de Cultura e Esporte de Dourados (Funced) quando ali trabalhamos juntos.

Lindomar ainda bastante jovem e muito talentoso com o desenho além de exercer sua função de assistente, cedia do seu talento para as artes de desenhos contribuindo com os dois departamentos na criação de cartazes e logomarcas dos eventos realizados.

Diz que a vinda dele e sua esposa para vender legumes e frutas se deu por ação do seu sogro, Sr Nildo Maximiliano da Silva, proprietário de um depósito de revenda de frutas que fornecia produtos para os feirantes. Dessa forma adquiriu dois espaços para suas filhas Elaine e Eliane revenderem os seus produtos. Ele me disse que sua cunhada ficou pouco tempo, depois deixou a banca sobre a responsabilidade da irmã que até hoje mantém os negócios na feira.

A meu ver, apesar de nossa cidade ter uma grande produção agrícola sempre teve dificuldade com o abastecimento com as hortaliças e frutas. Talvez por nunca ter investido em projeto de incentivo a essa produção, que coloca de verdade a comida na mesa da população.

Houve até alguns ensaios de cinturão verde, para esse tipo de produtos, mas não sobreviveu. A venda desses produtos vinda de outros estados acaba encarecendo o nosso custo de vida.  

Lindomar conta que, com seu jeito conciliador, acabou tomando para si a responsabilidade de mediador entre os feirantes e o poder publico para resolver diversos problemas de ordem burocrática e funcional, que vão surgindo constantemente em todo negócio e foi assim se tornando um líder entre os demais.

“Precisava sempre ir a prefeitura para resolver os problemas da feira, e fui ficando com essa responsabilidade” me disse Lindomar.

Diz que hoje é ele, mas que logo terá que ser outro, pois os problemas da feira são muitos, e sempre surgirão outros, e sempre deverá haver alguém para resolvê-los

Elaine me diz que está com seus negócios de feirante como expositora desde 1.991 e conta que é um trabalho que requer de muita disposição, porque além da feira central, participa em outros dias de outras feiras nos bairros, sendo assim tem todos os dias dedicados a preparação e vendas, e que se sente satisfeita com seu trabalho, por entender ser um trabalho útil a comunidade e que essa interação com a freguesia é uma relação que a faz feliz.

Lindomar conta que o período em que antecedeu a mudança de local foi difícil, pois havia muitas dúvidas e insegurança entre feirantes por ser um projeto em que o local ainda não estava pronto para oferecer a mesma tranqüilidade que estávamos acostumados.

Lindomar acompanhou a transição e aguarda ansioso para que a nova estrutura se complete para a estabilidade da nossa feira livre.

Para mim que conheço o Lindomar e admiro seus trabalhos como desenhista criador, e sou há muito freguês da sua banca, só tenho que agradecer ao casal por essa boa conversa que resultou em mais uma história da nossa Feira Livre da Rua Cuiabá.

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