Eunice Batista Lima dos Santos, "Eunice da Pamonha" - Fotos: acervo particular

Ilson Boca Venâncio

Dona Eunice Batista Lima dos Santos – sua barraca se localizava bem no inicio da feira, na esquina da Avenida Presidente Vargas, em um pequeno quiosque em que também servia de residência, bem por isso, era possível comprar pamonhas, curau e sopa paraguaia todos os dias, mesmo não sendo os dias em que acontecia a feira ali da Rua Cuiabá.

Nascida na cidade de Cascavel, no estado do Paraná passou a morar em Foz do Iguaçu, no mesmo estado, e depois veio para Dourados-MS.

Filha de João Batista de Lima e Maria Batista de Lima, mãe de três filhos, quatro netos e um bisneto, todos nascidos e criados em Dourados, trabalhando na Nossa Feira Livre.

Era o ano de 1985 quando eles aqui chegaram. Conta que quando pequena as coisas na vida de pobre eram diferentes, assim como ela, grande parte da população pobre que morava distante da cidade não tinha acesso a escola, pois não havia o transporte escolar público como existe hoje em dia, então para sobreviver a prioridade era ter uma profissão prática que lhe rendesse recursos suficiente para viver.

No seu caso, essa profissão veio da culinária produzida a partir do milho verde tendo como principal produto, a pamonha.

Essa profissão veio do seu pai, que fazia pamonha para vender, por isso desde pequena vivia no meio daquela lida de plantar milho, descascar, ralar e fazer pamonhas pra vender.

Mudando para Dourados logo vieram para a feira vender pamonhas, e assim ela diz que criou os filhos, netos e agora o bisneto, que já convive nesse ambiente.

Conta que foi na lida fazendo pamonha, curau, sopa paraguaia, que obteve recursos para sustentar e para cuidar da sua família.

Afirma que da mesma forma que foi criada, também criou os filhos, assim que iam crescendo já começavam também a ajudar na lida com o milho, com um diferencial, é que ela pode dar aos filhos o que não tiveram na infância, o acesso a educação escolar.

Ela diz que no tempo da sua infância as coisas eram diferentes, só tinha escola quem tinha dinheiro. Os filhos de pobre só sabiam o que os pais ensinavam.

“Compreendo que os tempos mudaram”, diz ela, mais que tem muito orgulho da faculdade que seu pai lhe deu, lhe ensinando a lida com o milho na culinária tradicional!

Com essa profissão ela pôde fazer a sua parte, criando e educando meus filhos e os netos.

“Hoje eles podem exercer a profissão que escolheram, mas mesmo tendo outros trabalhos, a cultura da tradição da pamonha e a tradição da feira livre continuam”, herdada de seu pai, haverá de permanecer na sua família.

Bem, eu como todos lá da minha casa, que gostamos dos produtos feitos pelas mãos da dona Eunice, só me resta agradecer por essa breve e sincera revelações da trajetória de vida e trabalho com a culinária do milho verde.

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