Noruega e Brasil assinam acordo de cooperação de biocombustíveis
Economia – 14/09/2007
As companhias de petróleo norueguesa Statoil e brasileira Petrobras assinaram nesta sexta-feira, em Oslo, um acordo de cooperação para prospecção e produção de petróleo, gás e biocombustíveis.
Assinado durante a visita de Estado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à Noruega, o acordo prevê estudos conjuntos dos dois grupos para o possível desenvolvimento e exploração de jazidas de petróleo e gás natural no Brasil e no exterior.
Concluindo uma viagem por quatro países nórdicos, o presidente Lula comemorou a assinatura do acordo, considerando extraordinária a parceria com a Noruega sobre as questões de energia.
A Statoil destacou em um comunicado que a cooperação com a Petrobras abrirá a possibilidade de exploração para produzir bioetanol (um combustível de origem agrícola), de desenvolver novas tecnologias e participar da definição de padrões de certificação.
O Brasil é um dos principais produtores de biocombustíveis no mundo, enquanto a Noruega é o quinto exportador mundial de petróleo e o terceiro exportador de gás natural.
“Não há incompatibilidade entre os dois”, disse Lula, em entrevista à imprensa com o primeiro-ministro Jens Stoltenberg. “Pelo contrário, eu desejo que a Noruega explore e encontre mais petróleo, sobretudo agora com este acordo entre a Petrobras e a Statoil”.
“Quanto mais eles tiverem gasolina, mais poderemos fazer misturas”, acrescentou Lula.
Ao lado do anfitrião, o presidente brasileiro se gabou das virtudes do bioetanol “muito, muito menos poluente do que qualquer outro combustível” e criador de emprego no setor agrícola e nas indústrias de transformação.
Nos hidrocarbonetos, a Statoil e a Petrobras, os dois pesos-pesados da energia em seus respectivos países, já cooperam em vários projetos no Brasil, em Angola, Nigéria e no Golfo do México, lembrou a Statoil.
Desde 2003, as duas empresas são também ligadas por um acordo de compartilhamento de tecnologia nas operações de exploração submarina.
O acordo desta sexta-feira foi estabelecido pelos diretores gerais dos dois grupos, Helge Lund da Statoil e José Sergio Gabrielli de Azevedo da Petrobras.
Além disso, ao contrário da Finlândia, uma das etapas anteriores da viagem do presidente Lula, a Noruega não apoiou abertamente a candidatura do Brasil a uma sede permanente do Conselho de Segurança da ONU.
“Mas nós não dissemos que somos contra. O que é claro é que o sistema da ONU precisa ser reformado e é importante incluir o Brasil neste processo”, declarou o chefe da diplomacia norueguesa Jonas Gahr Stoere, citado pela agência NTB.
A Noruega e o Brasil devem também examinar os pequenos projetos de ajuda ao desenvolvimento em Angola e Guiné Bissau, dois países de língua portuguesa da África, mas não fizeram anúncio oficial a respeito.
Fonte: G1/AFP



