Jones Dari Goettert em protesto realizado um dia após início da intervenção na UFGD. 12 de junho de 2019 - Foto: Bruno Augusto/SINTEF

Por Franklin Schmalz

Em sua primeira manifestação pública, Jones Dari fez críticas ao Governo Federal e aos ataques à educação, focou no diálogo e na retomada da construção da UFGD

Após mais de 3 anos com gestões interventoras e nomeadas de forma autoritária pelo Governo Bolsonaro, a UFGD amanheceu hoje (23) com a nomeação, via decreto presidencial, do Professor Jones Dari Goettert para o cargo de reitor. Jones compôs a lista tríplice elaborada em 2019 e encaminhada ao MEC, mas que vinha sendo ignorada desde então por Bolsonaro, que nomeou em junho daquele ano Mirlene Damázio como reitora pró-tempore e depois a substituiu por Lino Sanabria, em fevereiro de 2021.

A notícia da nomeação percorreu a universidade e foi tema de declarações na Reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFGD, que ocorreu no auditório da Reitoria a partir das 8 horas da manhã.

Já no início da reunião, o Prof. Arquimedes Gasparotto Junior, então vice-reitor pró-tempore, que presidia o Conselho, parabenizou a nomeação de Jones Dari, referindo-se a ele como “nosso reitor, agora de fato, eleito e nomeado para uma mandato de quatro anos regular”.

No fim da reunião, Prof. Jones Dari fez uso da palavra para se dirigir aos presentes e à comunidade acadêmica já em  tom de novo gestor da instituição. “O que nós temos é o restabelecimento da prática do processo participativo, democrático dessa universidade. O que nós temos é, no meu ponto de vista, parcialmente, a retomada da autonomia da universidade”, declarou.

O novo reitor citou a conjuntura nacional do país, referindo-se aos ataques à universidade pública, à educação pública e “à tudo aquilo que nós defendemos historicamente”. Ele ainda observou que a pandemia que assolou o país nos últimos anos não foi apenas sanitária, mas também “uma pandemia de anti-movimentos […] em relação à universidade pública, em relação à educação pública.”

“O percurso que se inicia será de muita entrega, de muita luta,  muita solidariedade e muita paixão, por que é isso também que nos move, essa paixão pela Universidade, pela UFGD e principalmente pelas gentes que mais precisam desta Universidade”, declarou. Como conjunto de gentes, Jones se referiu, além de alunos, docentes e técnicos, aos profissionais terceirizados da universidade.

Por fim, o recém nomeado agradeceu o carinho com que foi recebido na universidade e informou que já foram iniciados, desde agora, o conjunto de conversas necessárias nas unidades acadêmicas, pró-reitorias e órgãos da universidade.

Não participou da consulta prévia

Apesar de não ter sido candidato na consulta prévia, onde estudantes, docentes e técnicos definiram preferência por Etienne Biasotto como reitor e Claudia Lima como vice, a nomeação de Jones Dari é legal e segue a regra de que o Presidente da República pode escolher nomear qualquer um dos indicados na lista tríplice.

O Professor Etienne Biasotto, que reivindicava o cargo como reitor eleito, declarou hoje que “Infelizmente, a democracia não foi respeitada em nossa instituição. Mas, temos que ressaltar, a democracia vem sendo atacada todos os dias no nosso país, e nas Universidades, ela foi fortemente desrespeitada. Acredito que nossa defesa pela autonomia universitária teve impacto nessa nova nomeação. Mostramos para o Brasil que a constituição existe para ser cumprida”.

Em 2019 e diante do risco de que Bolsonaro não nomeasse os dirigentes escolhidos pela comunidade universitária, houve grande mobilização do movimento estudantil e sindical para que os derrotados na Consulta Prévia não entrassem na lista tríplice, o que ocorreu. No entanto, e apesar dos esforços para preservar a autonomia universitária, o Governo Federal por meio do MEC, adotou a postura de questionar na justiça todo o processo eleitoral da UFGD.

O pleito, que se arrastava pela Justiça Federal, teve fim em março de 2022, sendo finalizado com parecer favorável à validade das eleições com encaminhamento dos três nomes constantes ao presidente da República para escolha (PARECER n. 00164/2022/CONJUR-MEC/CGU/AGU). Logo em seguida, o então Ministro da Educação, Milton Ribeiro, encaminhou uma minuta ao presidente Jair Bolsonaro para nomeação de um dos reitores da lista tríplice.

Quem é o novo reitor

Jones Dari Goettert tem 50 anos, natural de São Martinho (RS), é professor do curso de Geografia da Faculdade de Ciências Humanas (FCH- UFGD) desde 2006, atualmente exercia o cargo de coordenador desse curso de graduação. Foi Vice-Diretor da FCH de 2011 a 2015 e depois Diretor da Faculdade de 2015 a 2019. Antes da UFGD, lecionou na Universidade Federal do Acre (UFAC) e na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Jones também foi Presidente do Sindicato dos Docentes da UFGD (ADUF) entre 2013 e 2014.

Possui graduação em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (1997), mestrado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000), doutorado em Geografia (Pres. Prudente) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2004); pós-doutorado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (2010-2011) e especialização em Literatura pela Universidade Federal da Grande Dourados (2012-2013).

Ato formal de posse deve ocorrer, como de costume, em Brasília no MEC, mas não há data divulgada. No entanto, desde já o reitor nomeado pode iniciar a formação de sua equipe de gestão.

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