No Rio, bloco das Mulheres Rodadas desfila contra feminicídio e assédio
O primeiro bloco feminista do carnaval carioca foi para as ruas “rodar e sambar na cara do machismo, racismo e homofobia”, segundo os integrantes.
14/02/2018 13h28
Por: Agência Brasil
A Quarta-feira de Cinzas (14) amanheceu com chuva no Rio de Janeiro, o que não impediu a saída do bloco das Mulheres Rodadas, que fez seu quarto desfile a partir do Largo do Marchado, na zona sul, em direção ao Parque do Flamengo. O primeiro bloco feminista do carnaval carioca foi para as ruas “rodar e sambar na cara do machismo, racismo e homofobia”, segundo os integrantes.
Tendo como lema os versos de Doces Bárbaros – Com amor no coração / preparamos a invasão / cheios de felicidade / Entramos na cidade amada – homens e mulheres seguiram com atabaques, sopros e muita purpurina, glitter e flores. Em pernas de pau, mulheres se vestiram de personagens da história, como Dandara, Chiquinha Gonzaga, Rita Lee, Gal Costa, Maria Bonita, Gabriela e Elke Maravilha.
No repertório, músicas como Marinheiro só (Clementina de Jesus), Alguém me avisou (Dona Ivone Lara), Ô abre alas (Chiquinha Gonzaga) e Lenda das Sereias (Marisa Monte). Uma das fundadoras do bloco, a jornalista Renata Rodrigues, lembrou que o bloco foi um dos incentivadores iniciais das campanhas contra o assédio no carnaval, que neste ano reuniu 23 blocos, em sete cidades do Brasil, para extravasar e dizer para a sociedade que “quem decide sobre o corpo de uma mulher é ela”.
“Antes, as mulheres estavam nos blocos em menor quantidade,. Hoje temos repercussão do que falamos, o que é uma faca dois gumes, porque quanto mais a gente aparece, mais atraí esse tipo de coisa. O problema é que você esbarra em limitações sociais, com muita gente com intolerância muito grande, e problemas do poder público, de não haver políticas de repressão. Mas isso não tem volta, a gente não vai retroceder por causa disso”.




