Graziela Rezende, do Mídia Max –
A morte do cão Azeitona, um poodle de 10 anos, durante internação no Hospital Veterinário Pronto Dog & Cat, transformou-se em um caso investigado pela Polícia Civil.
Os tutores do animal registraram boletim de ocorrência e acusam a clínica de negligência, omissão e falta de transparência durante e após o atendimento. O caso ocorreu em Campo Grande.
Segundo o relato da família, Azeitona foi internado em agosto de 2025 com um quadro de saúde que exigia cuidados intensivos e monitoramento constante. No entanto, os tutores afirmam que o estado clínico do animal se agravou progressivamente sem que medidas compatíveis com a gravidade do caso fossem adotadas.
“O Azeitona não era apenas um animal de estimação, era um membro da nossa família. Confiamos na clínica para cuidar dele em um momento delicado, mas recebemos sofrimento, dúvidas e ausência de respostas claras”, relatou a tutora.
Ao Jornal Midiamax o advogado Ulisses Lera, que cuida do caso, disse que a denúncia também feita no CRMV-MS (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul).
“Eles comprovaram também que houve negligência e os tutores gostariam que este caso realmente tivesse visibilidade, já que houve o crime. Após o boletim de ocorrência, foram ouvidas testemunhas e estamos acompanhando todo o andamento do processo”, ressaltou.
Laudo aponta incongruências técnicas
Um laudo técnico veterinário particular, elaborado pela médica veterinária Carolina Lapas Leão Lino, analisou os documentos fornecidos pela própria clínica, incluindo prontuários, exames laboratoriais, exames de imagem e o diário de internação. O documento conclui que houve “incongruências técnicas relevantes” relacionadas à monitorização do paciente, farmacovigilância e manejo da hipertensão e da insuficiência respiratória.
De acordo com o laudo, não há registros de monitoramento contínuo por eletrocardiograma, oximetria ininterrupta ou acompanhamento multiparamétrico, considerados elementos indispensáveis em casos críticos respiratórios. Também foi apontada a ausência de ventilação mecânica e de estrutura para transferência a uma unidade de terapia intensiva, fatores que, segundo a análise, comprometeram a possibilidade de suporte avançado de vida ao animal.
A profissional concluiu ainda que o paciente deveria ter sido transferido para uma unidade de terapia intensiva após os primeiros exames de hemogasometria, para receber tratamento adequado e monitoramento em tempo real.
Divergência sobre horário da morte
Outro ponto levantado pelos tutores diz respeito às informações sobre o óbito. Segundo a família, o diário de internação da própria clínica registra que Azeitona morreu às 2h55 do dia 21 de agosto de 2025, dentro da unidade hospitalar. Entretanto, os responsáveis afirmam ter recebido versões diferentes verbalmente por parte de representantes da clínica, gerando questionamentos sobre as circunstâncias da morte.
Após o falecimento do animal, os tutores também alegam dificuldades para obter documentos relacionados ao atendimento. Conforme o relato, apenas parte do material solicitado foi entregue após semanas de espera e, até o momento, o atestado de óbito do animal não teria sido fornecido.
A família afirma ainda ter sido informada de que as câmeras de segurança da clínica não estavam gravando durante o período em que Azeitona permaneceu internado, situação que aumentou as dúvidas sobre os fatos ocorridos naquela madrugada.
Avaliações na internet
Ao pesquisar avaliações públicas na internet, os tutores afirmam ter encontrado diversos relatos de outros clientes mencionando problemas semelhantes envolvendo a mesma clínica, incluindo reclamações sobre demora no atendimento, falta de estrutura, ausência de transparência e perda de animais.
Uma das avaliações recentes publicadas no Google diz: “Não recomendo, olhem quantas avaliações ruins esse hospital tem”. Em outro comentário, um tutor relata ter tido uma “experiência péssima” e atribui a morte de seu animal à falta de suporte no atendimento.
Caso será apurado
Os tutores informaram que possuem prontuários, conversas, documentos e o laudo veterinário particular que, segundo eles, demonstram inconsistências e falhas durante o atendimento prestado ao poodle.
A família espera que o caso seja investigado pelas autoridades competentes e afirma que decidiu tornar a história pública para alertar outros tutores e evitar que situações semelhantes se repitam.
Outro lado
O Jornal Midiamax entrou em contato com o Hospital Veterinário Pronto Dog & Cat e deixa o espaço aberto para manifestação da clínica sobre as denúncias apresentadas pelos tutores de Azeitona.




