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‘Não estou distante do chão do movimento’, afirma professor Léo em entrevista ao FolhaCast

Juliel Batista –

Professor de Filosofia, ex-dirigente sindical, ativista político e pré-candidato a deputado estadual, Léo construiu uma trajetória marcada pela atuação em movimentos sociais, pela defesa da educação pública e pela fiscalização constante do poder público. Em entrevista ao FolhaCast, ele falou sobre sua formação acadêmica, a participação na política douradense, as denúncias que apresentou ao longo dos últimos anos e os projetos que pretende defender caso conquiste uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Natural do interior de São Paulo e morador de Dourados desde 2017, Léo contou que o interesse pela Filosofia surgiu ainda na juventude, influenciado pela música e pelas leituras do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. A partir dessa descoberta, trilhou o caminho acadêmico e aprofundou seus estudos na Fenomenologia Existencial, área que investiga a experiência humana, o sofrimento e a relação do indivíduo com o mundo. “Filosofia e política caminham juntas desde a Grécia Antiga”, destacou ao explicar como a reflexão filosófica o levou à atuação política e social.

Ao longo da conversa, o professor relembrou sua participação no movimento sindical dos educadores e detalhou a série de denúncias que protocolou junto aos órgãos de controle. Entre os temas abordados estão problemas no transporte escolar da zona rural, atrasos na entrega de uniformes e kits escolares, falhas na atualização do Portal da Transparência, questões envolvendo eleições do Conselho Tutelar, infraestrutura escolar, preservação ambiental e mobilidade urbana. “Quando o Legislativo não cumpre plenamente seu papel de fiscalizar, alguém precisa cobrar”, afirmou. “O cidadão também deve acompanhar, fiscalizar e participar dos debates públicos.”

“Quando o Legislativo não cumpre plenamente seu papel de fiscalizar, alguém precisa cobrar”

Léo também apresentou sua visão sobre temas que considera centrais para o desenvolvimento do Estado. Defensor de um Estado eficiente, mas não necessariamente mínimo, ele criticou a burocracia excessiva e defendeu políticas públicas voltadas para educação, meio ambiente e transparência administrativa. Segundo ele, o objetivo de sua atuação política é aproximar a população das decisões públicas e fortalecer mecanismos de controle social. “Quero fazer na política institucional o mesmo trabalho que já realizo como cidadão: fiscalizar, propor soluções e defender o interesse coletivo”, resumiu.

“Quero fazer na política institucional o mesmo trabalho que já realizo como cidadão: fiscalizar, propor soluções e defender o interesse coletivo”

Durante a entrevista, o pré-candidato ainda falou sobre os desafios enfrentados pelo Partido Novo em Mato Grosso do Sul, sua experiência como candidato a vice-prefeito de Dourados em 2020 e as propostas que pretende levar para a campanha eleitoral. Entre elas, destaca a necessidade de planejamento de longo prazo para o Estado e uma maior aproximação entre representantes políticos e a realidade vivida pela população. “Precisamos superar a política baseada apenas em grupos consolidados de poder e abrir espaço para novas ideias, planejamento e participação popular”, concluiu.

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0: https://youtu.be/RSSn4JQRxgc?si=ZOIX_uD1tgR1rJ9W

A seguir, a entrevista:

'Não estou distante do chão do movimento', afirma professor Léo em entrevista ao FolhaCast
Estúdio Nexus 5.0

Professor, como surgiu o interesse pela Filosofia?

Curiosamente, veio por causa da música. Eu era instrumentista e, no terceiro ano do ensino médio, tive contato com Schopenhauer, que relacionava a arte à compreensão da realidade. Isso despertou meu interesse e me levou a cursar Filosofia.

Onde o senhor se formou?

Fiz graduação em Filosofia na Universidade Sagrada do Coração, em Bauru, no interior de São Paulo. Foi um curso bastante exigente, com muita leitura e estudo independente.

Qual é sua área de pesquisa dentro da Filosofia?

Minha área é a Fenomenologia Existencial. Estudei profundamente Arthur Schopenhauer e sua visão sobre o sofrimento humano, os desejos e a relação entre o indivíduo e o mundo.

Como a Filosofia o aproximou da política?

Filosofia e política caminham juntas desde a Grécia Antiga. Sócrates já questionava os poderosos e discutia temas como justiça e moralidade. A partir daí, compreendi que também tinha um papel político a exercer na sociedade.

Como foi sua chegada a Dourados?

Minha esposa foi aprovada em concurso da UFGD e viemos conhecer a cidade em 2016. Gostamos do ambiente, da arborização e da tranquilidade. Em 2017 nos mudamos definitivamente para Dourados.

O senhor já tinha atuação política antes de chegar a Mato Grosso do Sul?

Sim. Atuei no movimento sindical dos professores do Estado de São Paulo, ligado à corrente Educadores em Luta. Foi uma experiência importante para minha formação política.

Sua trajetória partidária passou por diferentes correntes políticas. Como explica essa mudança?

Sempre procurei mais os projetos do que os rótulos ideológicos. Passei por diferentes experiências políticas e hoje entendo que o mais importante é construir propostas viáveis e honestas para a sociedade.

O que o levou ao Partido Novo?

Foi uma questão de projeto. Conheci pessoas que considero sérias e comprometidas com uma forma diferente de fazer política. Isso pesou mais do que qualquer discussão puramente ideológica.

O senhor se considera de direita ou de esquerda?

Hoje me afasto dos extremos. Consigo enxergar problemas e acertos em diferentes correntes políticas. Não me identifico com radicalismos.

O senhor defende um Estado mínimo?

Não. Entendo que o Estado tem papel fundamental na organização econômica e social. Para mim, o Estado precisa ser amplo e funcionar como instrumento de desenvolvimento e desburocratização.

Por que o senhor se define como um cidadão politicamente ativo?

Porque acredito que a população precisa fiscalizar o poder público. Quando as instituições não cumprem plenamente seu papel, o cidadão tem o dever de acompanhar, cobrar e participar do debate público.

O senhor já disputou eleição em Dourados. Como foi essa experiência?

Fui candidato a vice-prefeito na chapa de Wilson Matos em 2020. A candidatura surgiu em um contexto de reorganização política de última hora, mas foi uma experiência importante para compreender ainda mais a dinâmica eleitoral da cidade.

Como avalia a participação popular na política?

A participação é fundamental. A política não deve ficar restrita aos mandatos ou aos partidos. O cidadão precisa acompanhar, fiscalizar e contribuir para a construção das políticas públicas.

Qual mensagem o senhor deixa para quem acompanha o debate político?

Que as pessoas busquem informação, reflitam criticamente e não se deixem levar por discursos simplistas. A política precisa ser construída com participação, responsabilidade e compromisso com o interesse coletivo.

Professor, ao longo dos últimos anos o senhor apresentou diversas denúncias. O que motivou essa atuação tão intensa como cidadão politicamente ativo?

Eu entendo que a participação cidadã não pode se limitar ao voto. Quando identifico problemas que afetam a população, procuro formalizar denúncias e cobrar providências dos órgãos responsáveis. Muitas dessas questões envolvem educação, transparência, mobilidade urbana e gestão pública.

O senhor também criticou os atrasos na entrega de uniformes e kits escolares.

Sim. O uniforme e o material escolar são fundamentais para garantir igualdade e dignidade aos estudantes. Houve situações em que as aulas começaram e os kits só chegaram meses depois. Quem conhece a realidade escolar sabe a importância desses itens.

Em determinado momento o senhor chegou a questionar a atuação do Ministério Público?

Sim. Em alguns casos eu entendi que determinadas investigações demoraram excessivamente ou não tiveram o encaminhamento que eu considerava adequado. Por isso também apresentei representações relacionadas à condução de alguns procedimentos.

O senhor também acompanhou o caso de um professor temporário que alegou ter sido impedido de assumir aulas.

Foi um episódio que considerei grave. O professor havia sido aprovado no processo seletivo e enfrentou dificuldades para formalizar sua situação. Como representante da categoria, acompanhei o caso e prestei apoio.

O trânsito de Dourados aparece frequentemente nas suas manifestações. Qual o principal problema?

A cidade cresceu muito e a infraestrutura nem sempre acompanhou esse crescimento. Há questões relacionadas à sinalização, mobilidade, segurança viária e planejamento urbano que precisam ser enfrentadas.

O senhor também se posicionou contra uma lei estadual que prevê exemplares da Bíblia em escolas públicas.

Minha crítica está ligada ao princípio da laicidade do Estado. Independentemente da crença pessoal de cada cidadão, entendo que o poder público deve tratar todas as religiões de forma igualitária.

Outra denúncia envolveu a cobrança da taxa do lixo. Qual foi o questionamento?

A discussão gira em torno da prestação efetiva dos serviços que justificam a cobrança. Entendo que é preciso haver transparência sobre a aplicação dos recursos arrecadados e sobre a execução dos serviços previstos.

O senhor também comentou um caso envolvendo uma universidade privada em Dourados. O que chamou sua atenção?

Algumas informações relacionadas à estrutura financeira e ao processo de implantação da instituição levantaram dúvidas. O assunto acabou sendo judicializado e segue em discussão nos órgãos competentes.

Mudando de assunto, o senhor apresentou propostas para uma eventual candidatura. Uma delas prevê que deputados utilizem exclusivamente serviços públicos. Qual é o objetivo?

A ideia é aproximar os representantes da realidade vivida pela população. Quando o agente público utiliza os mesmos serviços que a população utiliza, ele passa a ter um incentivo maior para buscar melhorias na saúde, educação e segurança públicas.

Professor, o senhor acumula uma longa lista de denúncias. O que motiva essa atuação?

Quando o Legislativo não cumpre plenamente seu papel de fiscalizar, alguém precisa cobrar. Eu não tenho imunidade parlamentar, mas entendo que o cidadão também deve fiscalizar o poder público e apontar problemas que afetam a população.

Uma das primeiras denúncias citadas foi sobre o transporte escolar das sitiocas. O que estava acontecendo?

Os ônibus apresentavam condições ruins e, principalmente, os horários não coincidiam com a entrada dos alunos nas escolas. Isso acabava prejudicando diretamente os estudantes.

O senhor também questionou o atraso na entrega de uniformes e kits escolares.

Sim. Uniforme, merenda e material escolar são fundamentais para a dignidade do aluno. Houve casos em que as aulas começaram e os materiais chegaram meses depois. Isso impacta diretamente a rotina das famílias.

Houve denúncias relacionadas às eleições do Conselho Tutelar. Qual era a preocupação?

Existiam indícios de campanha fora das regras previstas para o processo. Encaminhamos a denúncia ao Ministério Público, mas o caso acabou arquivado.

O senhor também denunciou problemas no Portal da Transparência da Prefeitura.

O portal permanecia funcionando, mas os dados ficavam meses sem atualização. Transparência não é apenas manter um site no ar; é garantir informações públicas atualizadas para a população.

Em determinado momento o senhor chegou a questionar a atuação de um promotor de Justiça.

Sim. Em um dos casos relacionados ao Portal da Transparência, eu entendi que houve demora excessiva na tramitação e apresentei uma representação questionando a condução do procedimento.

Uma denúncia curiosa envolveu uma escola e a presença de escorpiões.

O problema era sério. Havia relatos de escorpiões na unidade escolar e, segundo as informações recebidas, a resposta encaminhada à comunidade não tratava diretamente da situação apresentada. Isso gerou questionamentos.

O senhor também acompanhou o caso de um professor temporário que teria sido impedido de assumir aulas.

Foi uma situação complicada. O professor havia sido aprovado no processo seletivo, mas enfrentou dificuldades para protocolar documentos e assumir a vaga. Como presidente da associação, acompanhei e dei suporte ao caso.

O que o senhor chama de “Lei da Mordaça” para professores temporários?

É uma norma que, na minha avaliação, pode punir professores temporários por manifestações ou questionamentos feitos dentro do ambiente escolar. Entendo que isso gera insegurança para a categoria.

A pauta ambiental também aparece entre suas bandeiras.

Sim. Tenho preocupação com a preservação dos rios, lagos e do lençol freático da região. São temas que precisam receber mais atenção do poder público.

O Teatro Municipal também foi alvo de críticas?

Na época, questionei a falta de utilização do espaço para atividades artísticas e a demora na realização das reformas necessárias.

O senhor também levantou discussões sobre trânsito e planejamento urbano.

Sim. Defendo mudanças que melhorem a mobilidade urbana, ampliem a capacidade viária e garantam mais segurança para motoristas, ciclistas e pedestres.

O senhor também apresentou propostas para uma eventual candidatura. O que diferencia seu projeto político?

Planejamento. Tenho projetos estruturados e procuro apresentar propostas já acompanhadas de explicações sobre como serão executadas, por que são necessárias e quais resultados podem gerar.

E qual seria sua postura caso chegue à Assembleia Legislativa?

Quero chegar trabalhando desde o primeiro dia, apresentando propostas e debatendo soluções concretas para os problemas do Estado.

Que mensagem o senhor deixa para a população?

Precisamos superar a política tradicional baseada apenas em grupos consolidados de poder e abrir espaço para novas ideias, planejamento e participação popular.

'Não estou distante do chão do movimento', afirma professor Léo em entrevista ao FolhaCast
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